Exposição revela aventuras de cicloturista na Nova Zelândia

Paulo Roberto em um dos pontos altos da viagem: o Parque Nacional do Monte Cook Acervo Pessoal Foram 1.300 quilômetros percorridos em 41 dias em uma das áreas mais exuberantes do planeta em cima de uma bicicleta. Além das lembranças de belas paisagens da Ilha Sul da Nova Zelândia, o advogado e cicloturista Paulo Roberto […]

Escrito por: Renan Simão5 min de leitura
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Paulo Roberto em um dos pontos altos da viagem: o Parque Nacional do Monte Cook

Acervo Pessoal

Foram 1.300 quilômetros percorridos em 41 dias em uma das áreas mais exuberantes do planeta em cima de uma bicicleta. Além das lembranças de belas paisagens da Ilha Sul da Nova Zelândia, o advogado e cicloturista Paulo Roberto Cunha leva na bagagem boas histórias, alguns perrengues e a vontade de voltar.

A história de Paulo Roberto está contada na exposição “Nova Zelândia: O sonho de uma viagem de bicicleta” do Sesc de Taubaté, em cartaz até 28 de fevereiro. Para contar mais sobre a aventura sobre duas rodas, Paulo Roberto concedeu entrevista por telefone ao Meon.

Pedalando 90 km por dia carregando mantimentos e barraca, a viagem do paulistano parece ser para poucos, mas ele avisa que não é necessário ser um superatleta para viajar de bicicleta. “Faço academia três vezes por semana, jogo futebol toda semana e uso muito a bicicleta, até pra ir pro trabalho. É normal, só não pode ser sedentário”, conta.

Uma das melhores decisões da viagem, segundo ele, foram as mudanças de rota. O acaso e a confiança em outros cicloviajantes o fizeram encontrar desde piscinas naturais a amigos recém conhecidos que se despediam com lágrimas nos olhos.

Leia entrevista com o cicloturista Paulo Roberto Cunha, abaixo:

Quando você teve a ideia de pedalar pela Nova Zelândia?
Foi um acaso, na verdade. Em 2002, eu estava viajando pela Austrália e, na volta, ia pegar o avião para ir embora. Só que a gasolina do avião acabou e nós tivemos que parar em Auckland [capital da Nova Zelândia]. Foi muita sorte. Eles te deixam ficar ali conhecer o lugar, e sem nenhuma multa, pegar um outro avião algum tempo depois. Aí fiquei alguns dias conhecendo a Ilha Norte. Não deu pra ir para a Sul, que diziam ser a mais bonita por ter muitas montanhas e Monte Cook. Aí tive que voltar.

Como foi o planejamento da viagem?
Foi normal. Fui nas minhas férias, 30 dias, e pedi pro meu chefe mais uns 10. No total fiquei 41 dias lá. O que sempre falo nas minhas palestras é você ter um bom preparo físico, mas nada de ser superatleta. Eu, por exemplo, faço academia três vezes por semana, jogo futebol toda semana e uso muito a bicicleta, até pra ir pro trabalho. É normal, só não pode ser sedentário. Outra coisa importante: o contato com a bicicleta. Ande muito com ela pra conhecer, fazer pequenas viagens. Mas de planejamento mesmo eu levei dois mapas guias, sabia alguns locais de camping, só.

Você não tinha uma rota definida?
Não. Várias vezes eu mudava o destino porque alguém falava que outro lugar era melhor.

Conte uma dessas mudanças de rota…
Em Christchurch, eu fiquei num albergue. E lá, um casal de chilenos reconheceu a minha camiseta do Clube do Cicloturismo, diziam que eram cicloviajantes também, mas agora estavam morando numa cidade que era 90 km dali, e estava no meu caminho. E falaram: “Você vai passar pela nossa cidade, se quiser liga pra gente.” Eu fui e liguei. Eles foram ótimos, cheguei e me deram pão, lanche. A gente se deu tão bem que, no fim, eles estavam se despedindo chorando.

Compartilhe a estrada: boa parte da viagem de Paulo foi percorrida pelas rodovias

Acervo Pessoal


Conte a sua rota.
Comecei no sul e fui vindo pra costa-oeste em direção à Queenstown e o Parque do Monte Cook. Também passei pela Copland Track, para ver os glaciares e umas famosas piscinas naturais. Conheci uns brasileiros que trabalhavam com lavagem de roupa, e eles iam pra lá. Coloquei minha bike com as roupas sujas e fui na frente. Foi uma caminhada pra chegar a mais de 3 mil metros de altitude. Era muito gelado. Mas tinham as piscinas naturais, quentes. E, antes de você entrar tinha um aviso, que você pode entrar na água, mas não afunde a cabeça porque tem uma bactéria que pode entrar no teu cérebro e te matar. Aí eu entrei e não afundei a cabeça, né. (risos)

E pra dormir, como você fazia?
Quando estava numa cidade maior, ia pra um albergue. É barato lá, o preço tava quase de um para um com o Real. Então dava pra pagar. Quando estava em vilas menores, eu acampava. Uma vez estava muito cansado, tinha pedalado o dia inteiro, estava escuro e resolvi montar a barraca na beira da estrada. Não é fácil: você já pedalou o dia inteiro, ainda tem que montar a barraca, montar as coisas, cozinhar e só depois comer. E fazer isso todo dia. Tem que estar preparado.

Você lembra de uma pessoa que você encontrou pelo caminho e te marcou?
Bom, de “pessoa” são duas, um casal. Um casal de ingleses, não lembro os nomes deles. Eles tinham 60 anos cada um. E eram um exemplo: acordavam antes de todo mundo no camping e pedalavam muito. Às vezes você achando que pedalou muito e eles estavam lá na frente. Ah, também tem uma menina alemã que tinha a sua primeira cicloviagem. Tinha 15 anos, estava viajando sozinha.

Você mudou depois dessa viagem?
Hum, tem uma coisa, sim. Antes de ir, eu pensava: “Vai ser essa viagem e só. É muito pra minha cabeça voltar aqui.” Tinha um monte da região dos glaciares que eu visitei em 2002, naquela parada da gasolina do avião, que era lindo. E eu quis voltar na viagem de bicicleta. Só que teve um incêndio naquela região e eu não pude subir. Então, eu vou voltar para ver esse monte. Não sei quando ainda, mas o dinheiro já está guardado.

SERVIÇO
Exposição “Nova Zelândia: O sonho de uma viagem de bicicleta”
Quando: até 28 de fevereiro. De terça-feira à sexta-feira, das 9h às 21h45. Aos sábados e domingos, das 9h30 às 18h.
Onde: avenida Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1264, Esplanada Santa Terezinha, Taubaté
Quanto: grátis
Mais informações: (12) 3634-4000

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