Exposições destacam a luta antimanicomial em São José
Maio é o mês da luta antimanicomial e São José dos Campos recebe atividades que exaltam a recusa às internações compulsórias e a necessidade de socialização de pacientes com distúrbios psicológicos.











Maio é o mês da luta antimanicomial e São José dos Campos recebe atividades que exaltam a recusa às internações compulsórias e a necessidade de socialização de pacientes com distúrbios psicológicos. A Casa de Cultura Chico Triste mantém até o dia 30 de junho a exposição “Vida Sem Asas” do artista Antonio Carlos, paciente do Caps (Centro de Atenção Psicossocial).
Outros pacientes do Caps expõem trabalhos em painéis, mosaicos e tapetes no projeto “Laços de Liberdade”, na Casa de Cultura Tim Lopes, também até o dia 30. A mostra reúne dez banners com informações sobra a vida de célebres artistas que foram diagnosticados com distúrbios psicológicos como o pintor Vincent Van Gogh (epilepsia e psicose) e a poetisa Sylvia Plath (depressão).
“Se fosse 20, 30 anos atrás, esses pacientes estariam morando num hospital psiquiátrico”, afirma Clara Moya, terapeuta ocupacional do Caps Sul. “Com a integração social, eles podem ficar em casa e isso diminui o número de internações”.
A terapeuta coordena as atividades de socialização dos pacientes e, no caso de “Laços de Liberdade”, organizou as oficinas que produziram as peças da exposição.
O Caps trata pacientes com distúrbios mentais graves, que os impedem, muitas vezes, de ir trabalhar ou mesmo sair de casa. Mas a especialista rejeita a alternativa da reclusão, usada muitas vezes como sinônimo do uso da camisa de força – que sempre vem à mente quando falamos do tema loucura.
“Você tem que dar oportunidade para que a própria pessoa possa se desamarrar dessa camisa simbólica”, explica Clara. “Por isso as atividades com a comunidade são tão importantes para entender a situação de loucura”.
Para a terapeuta, deve-se conviver com essa diferença e não entender a pessoa com distúrbios psicológicos como menos importante, mas com potencial para diversas habilidades.
“Aí vem um paradoxo, às vezes a forma como nós vivemos e trabalhamos não potencializa as nossas habilidades e isso pode se transformar em uma coisa enlouquecedora”, diz.
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