Feiras de Designers: desejo de reconexão

Ao jovem designer coreano Jeonghwa Seo interessa construir móveis em materiais que encontramos ao nosso redor, como o concreto e a cortiça. Em parte pela possibilidade de viabilizar a produção sem precisar investir em moldes e, claro, gastando menos. Mas, acima de tudo, porque, segundo ele, ninguém espera vê-los transformados em móveis.

Escrito por: Marcelo Lima3 min de leitura
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Festival de Design de Londres 2014, mobilizou a capital britânica, elencando cerca de 300 eventos

Divulgação/London Design Festival

Ao jovem designer coreano Jeonghwa Seo interessa construir móveis em materiais que encontramos ao nosso redor, como o concreto e a cortiça. Em parte pela possibilidade de viabilizar a produção sem precisar investir em moldes e, claro, gastando menos. Mas, acima de tudo, porque, segundo ele, ninguém espera vê-los transformados em móveis.

Exemplo emblemático, o ideário de Seo, materializado em uma série de bancos que contrapõem diferentes texturas e brilho – concreto, rocha, metal e madeira -, representa bem a linha de pesquisa à qual vêm se dedicando muitos dos designers presentes à 11.ª edição do Festival de Design de Londres. O evento mobilizou a capital britânica entre os dias 13 e 21 do mês passado, elencando cerca de 300 eventos, além de três feiras âncoras.

Entre elas, a 100% Design, a maior do gênero no Reino Unido, que comemorou 20 edições investindo, mais uma vez, em uma abordagem mais comercial, com pouca ou reduzida presença de marcas ou designers emergentes.

Ao contrário da Tent London – realizada paralelamente à Super Brands, dedicada a marcas já consolidadas -, que reafirmou sua vocação de destino mais criativo do festival londrino, contabilizando mais de 290 marcas em exposição: de líderes globais a designers independentes.

Feira do momento, a Designjunction, no centro de Londres, realizou sua quarta edição exercitando uma bem dosada combinação de marcas de peso – incluindo muitas italianas – e de profissionais em início de carreira, que, em geral, produzem e comercializam suas peças por conta própria. Foram 180 as marcas representadas, incluindo as de iluminação, apresentadas este ano em um segmento à parte.

Formado em Belas Artes, o veterano Peter Marigold é outro que acredita no potencial de surpreender preconizado por Seo. Suas mesas, em exposição na Galeria Libby Sellers, falam de madeira, mas não são feitas no material. Seus tampos são produzidos por meio da utilização de um único pedaço de madeira, que tem sua textura reproduzida com cera quente. Trata-se uma impressão de madeira. Um objeto moldado, mas ainda assim único.

Ao que tudo indica, à medida em que nos vermos mais e mais rodeados por máquinas, mais vamos precisar de coisas que nos reconectem, de alguma forma, com a natureza. E mais vamos nos sentir atraídos por objetos artesanais que nos coloquem em contato com quem os fez. Tal qual acontece com os objetos de Seo e Marigold. E também por muitos outros apresentados em Londres. Aqui, a nossa seleção.

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