Finados: como as diferentes religiões encaram a morte?
A religião pode ser considerada como um conjunto de crenças e filosofias que são seguidas, criando diferentes pensamentos, é um culto que aproxima o homem das entidades, uma crença em que as pessoas buscam a satisfação nas práticas religiosas ou na fé, para superar o sofrimento e alcançar a felicidade.


Representantes de diferentes religiões explicaram ao Meon o que é a morte
Flavio Pereira/Meon
A religião pode ser considerada como um conjunto de crenças e filosofias que são seguidas, criando diferentes pensamentos, é um culto que aproxima o homem das entidades, uma crença em que as pessoas buscam a satisfação nas práticas religiosas ou na fé, para superar o sofrimento e alcançar a felicidade.
A grande maioria das religiões se assemelha em acreditar em algo ou alguém, porém, cada uma tem suas diferenças quanto a alguns aspectos, e a morte é um deles. O Meon entrevistou representantes da região que pertencem a determinadas religiões para mostrar como cada uma lida e compreende a morte.
Cristianismo – Catolicismo
“Para nós cristãos, que vivemos o evangelho, a morte é um sonho. O capítulo 11 do evangelho de São João, descreve a morte de Lázaro. Jesus disse ao seus discípulos que Lázaro estava dormindo, ele pensaram que Jesus estava falando simplesmente do sono, mas Jesus disse: Lázaro morreu e vou acordá-lo. Jesus disse: aquele que crê e vive em mim, não morre jamais. Então, a morte é uma simples passagem para a plenitude da vida. Nós dormimos mortal e acordamos imortal. A partir da ressurreição de Jesus a morte foi vencida. Não temos motivos para temer a morte”, diz o padre Domingos Sávio da Silva, reitor do Santuário Nacional de Aparecida.
Judaísmo
“Nós encaramos a vida como uma elevação do espírito, para isso que viemos e viemos em função disso, de coisas que você faz aqui e te elevarão ou não, se você não consegue se elevar espiritualmente pode voltar após a morte na forma de outra pessoa, animal ou planta, isso é considerado um plano inferior. Quem consegue elevar o espírito, continua se elevando lá em cima (no céu) quando morre. A morte é uma passagem, se você cumpre sua meta poderá ir embora mais rápido, por isso que pessoas jovens, como crianças morrem cedo, as vezes já cumpriram seu dever, isso pode pesar para os que ficam, mas tudo é designo. Acreditamos que não se pode mexer no corpo nem ser cremado. Estamos aguardando o Messias, por isso nós judeus usamos caixão de papelão e plástico, para o corpo se encontrar com a terra o mais rápido possível, a sepultura tem que ser eterna, nos cemitérios judeus, rico e pobre tem o mesmo enterro”, comenta o judeu Eliezer, presidente da Assibrave (Associação Israelita Brasileira do Vale do Paraíba).
Budismo
“Nosso corpo é limitado, nosso corpo não é nossa mente, nós temos um ciclo, de vigília, onírico (sono) e quando acordamos no dia seguinte, isso representa o estado intermediário, ou seja, período entre o sono e quando acordamos. Quando morremos, existe o período chamado Bardo, 49 dias após a morte, nossa mente é como um pássaro, migra para outro corpo, de um ninho para outro, onde a mente não é permanente. A morte é um mero nome, o estado purificado da mente está entre a morte e o renascimento. Precisamos trabalhar a nossa mente para transformar esse ciclo, que é contaminado por mortes incontroladas, sofrimentos humanos, em uma mente purificada, alcançando o potencial da budeidade (que é o estado alem da dor -mente permanente)”, conta a Monja Budista Kadanta – Kartchog.
Cristianismo – Evangélico
“Como acreditamos na vida eterna, creio que a morte é apenas o encerramento de um ciclo de nossa vida, que temos que enfrentar para passar para um novo ciclo. Acreditamos que a morte é a passagem desta vida humana para uma vida eterna com o Senhor Jesus.
Quando o profeta Isaias disse ao rei Ezequias que ele iria morrer, já tinha desempenhado seu ciclo de vida, e assim também nós temos um ciclo para cumprir. Importante é entender durante a vida o propósito que Deus nos deu e cumprir este propósito, estando preparados para nosso novo destino, a vida eterna”, diz o pastor Anselmo de Carvalho, da Assembleia de Deus Bom Retiro, de São José dos Campos.
Ateísmo
“A consciência da finitude existe somente no homem e como consequência todas as construções filosóficas e religiosas surgidas ao longo da história dão testemunho do esforço que fizemos para compreendê-la e até superá-la. Me pergunto se há um, e tão só um, ponto de vista que seja justificado pela não crença em deuses? Posso apenas dizer da morte para mim e, talvez este seja o posicionamento ateu, o de não crer em uma morte senão em muitas e diversas. Entendo a morte como sentido, em sua mais ampla acepção. Sentido como direção, pois tudo que é vivo se dirige à morte. Porém mais importante que esta direção, penso na morte como um efeito, um efeito de sentido. A consciência de um fim permite que expressões como “aproveitar a vida” possam ter efeito no modo como escolhemos viver. A morte, portanto, não é aquilo que faz mal à vida, mas aquilo que nos interpela a viver, compõe a vida. É assim que a entendo”, diz o psicanalista e ateu, Sebastian Paulsen.
Espírita
“A morte para nós espíritas é a passagem de um plano para outro, morre o físico, mas continua a vida espiritual, não que nós sejamos frios, mas entendemos que a vida não termina com a morte do corpo físico, na verdade a verdadeira vida é do espírito, o corpo físico é apenas uma embalagem para um espírito viver suas experiências num mundo físico. Sentimos a perda de um ente querido como qualquer outro, mas terminado o tempo da vida física, o espírito se sobrepõe, é o que chamamos de vidas sucessivas ou reencarnação”, explica Mario Vinhas, do Centro Espírita Casa do Caminho, de São José dos Campos.
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