Flim 2016 discute o avesso da cidade e o nosso senso de cidadania
Escritores Paulo Lins, Ricardo Aleixo, Lourenço Mutarelli e Mário Bortolotto propõem uma reflexão sobre as contradições que a cidade nos apresenta


Flim 2017 reflete sobre o “avesso da cidade” e baixo senso de cidadania
Divulgação
Neste sábado (17), às 18h, a Flim 2016 recebe a mesa de debates que talvez proponha a maior de todas as reflexões sociais que pode se relacionar entre a literatura e a cidade. Durante essa viagem por dentro e por fora das nossas vidas proposta pela organização desta edição, “Calçadas, quebras e …” tem o objetivo de fazer o cérebro funcionar.
No Brasil, toda cidade comporta, dentro de si e à sua volta, uma espécie de “avesso da cidade”, que revela como é precário o nosso senso de cidadania. Imagine então, nesse contexto, o que o escritor Paulo Lins tem para nos mostrar.
Autor de “Cidade de Deus”, o livro que inspirou o filme, conhece de perto o que é viver o avesso da cidade que respira riqueza, da que prega a igualdade desde que ela esteja do lado de fora do carro blindado e que vive da sua própria hipocrisia.
Com o poeta mineiro Ricardo Aleixo, o avesso torna-se apenas mais um ângulo de visão. Com visão crítica da realidade, Aleixo faz poesia social, mordaz, seca e irônica. Junta-se a isso seu trabalho de agitador cultural que leva a poesia à integração com outras formas de arte como o teatro, a música e a dança. Consegue imaginar?
Lourenço Mutarelli é autor de “Cheiro do Ralo”, que também virou filme. Quem não viu, precisa saber que a cidade dele é pequena, se cruza, é indiferente e também apaixonada, se confunde, tem suas bizarrices, enfim, é a vida.
Seu outro romance, “Natimorto”, foi adaptado para o teatro por Mário Bortolotto, que também está nessa mesma mesa. Este último é autor da premiada peça “Nossa Vida não Vale um Chevrolet”, foi baleado pela cidade em 2009 quando reagiu a um assalto, viu um lado avesso de perto.
E se com essas poucas linhas você já pensou em quantos avessos a cidade te mostra, comece agora, leia de novo, de trás para frente, pulando parágrafos como fazemos com as esquinas ou furando semáforos.
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