Foco na interação com as pessoas

Em visita a São Paulo, designer inglês comenta seu processo criativo

Escrito por: Marcelo Lima3 min de leitura
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Paul Cocksedge, designer de objetos (Reprodução / Facebook / Paul Cocksedge Studio / Marcelo Lima)

Paul Cocksedge, designer inglês, prefere trabalhar no limite

Reprodução / Facebook / Paul Cocksedge Studio / Marcelo Lima

Paul Cocksedge prefere trabalhar no limite. Da tecnologia, dos materiais, dos processos de fabricação. Em um de seus primeiros trabalhos, uma mesa de aço desafiava a lei da gravidade. Em outro, mais recente, um facho de luz direcionável se transforma no próprio corpo da luminária. Fundado em 2004, em parceria com a também designer Joana Pinto, seu estúdio de criação responde hoje por uma vasta gama de projetos. No cerne de suas pesquisas, a vontade de questionar suposições anteriores sobre a real natureza de cada objeto. “Meu foco está na interação com as pessoas”, afirmou o designer londrino à reportagem, durante sua passagem por São Paulo, onde proferiu palestra na feira Expo Revestir.

Pequenas séries ou produção em larga escala? Qual seu interesse atual?
Sempre convivi bem com as duas modalidades de produção e, ao contrário de muitos, não as considero antagônicas, mas complementares. Muito do que aprendo nas pequenas tiragens acabo aplicando na produção seriada e vice-versa. Considero, no entanto, natural, e até salutar, que no início da sua carreira o designer se dedique às pequenas séries. Isso ajuda a reforçar a sua identidade.

Você já desenhou diversas luminárias. O que mais o atrai na luz?
A luz é fascinante por carregar muito de desconhecido e essa imprevisibilidade sempre me surpreende. Ao mesmo tempo ela é parte indissociável de nossas vidas. A começar pelo sol, nossa maior conexão com a luz. E é assim que eu a vejo. Não como uma luminária de mesa ou um lustre. Como designer, posso projetar essas coisas, mas elas não são a minha inspiração. Trabalho por meio da experimentação e da descoberta e a luz se presta bem a esse tipo de abordagem. Em se tratando dela, nada é predefinido. Talvez por isso eu goste tanto.

Muitos atribuem a seu trabalho uma dimensão arquitetônica. Concorda com essa leitura?
Gosto de trabalhar em diferentes escalas – do objeto ao espaço público -, mas, certamente, meu trabalho se tornou mais arquitetônico conforme nosso estúdio foi se desenvolvendo. Fizemos grandes instalações temporárias por um longo tempo, mas agora estou me sentindo mais e mais atraído pela ideia da permanência. E isso, sem dúvida é uma questão central da arquitetura. No momento, estamos quase concluindo o projeto de um escritório criativo no centro de Londres e estou muito excitado com a ideia. Quero ver como as pessoas vão interagir com ele a longo prazo.

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