Food Trucks encontram caminho sinuoso para chegar à RMVale

Famosos em SP, restaurantes ambulantes esbarram no espaço e nas leis da região

Escrito por: Thiago Fadini4 min de leitura
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Butantan Food Truck, em São Paulo

Divulgação

Febre na capital paulista, os Food Trucks (restaurantes sobre rodas) estão encontrando dificuldades para se instalar nas principais cidades Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Os obstáculos vão desde questões legislativas a problemas com espaço.

No fim de dezembro de 2013, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) sancionou uma lei que dispõe regras para venda de alimentos em vias e área públicas, despertando o novo mercado gastronômico. No Vale do Paraíba a questão ainda é tratada com certo distanciamento.

Em São José dos Campos, o maior empecilho está na regularização desse tipo de negócio. O chef e consultor de gastronomia Igor Bakos, 34, tentou abrir a própria Food Truck recentemente, mas foi avisado pela prefeitura que o negócio não receberia alvará de funcionamento, pois entraria em uma lei criada em 1997 que proíbe abertura de comércios ambulantes. Como não existe um texto específico para as lanchonetes, elas se encaixariam nessa lei.

“O que me disseram pra fazer é alugar um terreno e fixar o caminhão lá, mas assim eu estaria atuando como restaurante fixo. O interessante é que o caminhão vá até as pessoas e não elas até ele”, disse Igor.

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Chuckwagon, primeira Food Truck

Divulgação

Por nota, a prefeitura explicou que “a atividade de Food Trucks é nova, foi introduzida há pouco tempo por empreendedores em grandes cidades brasileiras, mas ainda não é regulamentada no município”. A administração comunicou ainda que não existe qualquer projeto de lei em debate ou tramitação para que os caminhões e ônibus sejam regularizados.

Já em Taubaté, o empreendedor que desejar entrar no ramo terá dificuldades com relação ao espaço disponível nas vias públicas. No fim de 2014, o ex-polegar Ricardo Costa inaugurou uma Food Truck na Avenida Itália, famosa por seus bares e restaurantes. Entretanto, ele se fixou em um ponto específico, pois foi comunicado pela prefeitura que os pontos desejados por ele atrapalhariam o trânsito.

A Secretaria de Mobilidade Urbana de Taubaté informou que “não existe uma proibição da atividade de Food Trucks na cidade, mas a situação sempre está sujeita a avaliação devido ao espaço nas vias públicas da cidade”. A condição é necessária pelo fato do município ser muito antigo e ter um número grande de ruas estreitas.

Em Caraguatatuba e em Pindamonhangaba não foi registrada nenhuma procura até o momento para abertura de uma Food Truck. Na cidade mais populosa do Litoral Norte, a prefeitura disse que ”não existe legislação específica para este comércio, porém se houver pedido de abertura, a prefeitura se ampara na lei de regulariza o comércio ambulante e também o Código de Posturas”. A administração de Pinda afirmou que “os empresários podem entrar com uma solicitação na Prefeitura para obter a licença eles terão um ponto fixo para fazer as vendas. A circulação é permitida para a locomoção entre a origem do empresário e o ponto da licença autorizada”. A administração disse ainda que “há um comerciante na cidade que transformou um ônibus em ponto de venda de lanches”, o que caracteriza a Food Truck.

Origem
Há mais de um século, os americanos já utilizavam o conceito desse restaurante ambulante. O primeiro Food Truck de que se tem notícia foi criado por Charles Goodnight em 1866, que resolveu levar comida aos tocadores de gado nos estados do Texas e Novo México. Até 1950, os restaurantes itinerantes já haviam se incorporado ao dia a dia dos americanos.

Embora espalhados pelos Estados Unidos e Canadá, os Food Trucks ganharam novo alento recentemente, em 2008, quando um americano de origem coreana, Roy Choi, colocou o nome “Kogi” em um caminhão e saiu pelas ruas de Los Angeles para vender tortillas mexicanas recheadas com churrasco coreano. Ele inspirou milhares de empreendedores a fazerem o mesmo, principalmente depois da crise econômica de 2009 e a moda se disseminou para fora do país.

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Food Truck do ex-polegar Ricardo Costa, em Taubaté

Arquivo Pessoal/Ricardo Costa

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