Fotógrafo inicia jornada para registrar a identidade valeparaibana
‘Revelando o Vale’, de Luciano Coca, vai percorrer as 39 cidades da RMVAle













Qual a linha de identidade que aproxima os mais de dois milhões de habitantes da RMVale? O que há em comum entre realidades aparentemente tão distintas? Com essas perguntas na cabeça e uma câmera na mão, o fotógrafo Luciano Coca deu o pontapé inicial ao projeto Revelando o Vale, ambiciosa empreitada que tem como principal objetivo registrar os costumes e o cotidiano de cada uma das 39 cidades da região.
Dos casarões da Velha Redenção da Serra aos aviões de São José dos Campos, o projeto registrará paisagens deslumbrantes, ecos de antigos costumes e a pulsação das ruas nas cidades mais populosas. O desejo de registrar in loco os costumes valeparaibanos há muito já habita o imaginário do fotógrafo. Entretanto, sem reunir as condições ideais, Coca foi protelando a jornada.
“Foi aí que eu me toquei que, se for pra ficar esperando as circunstâncias favoráveis, o projeto nunca ia sair do papel. Acordei um dia e pensei comigo: ‘vai ser hoje, vai ser no peito mesmo’. Aí tomei coragem e comecei”, conta.
A cada visita, o fotógrafo permanece por dois ou três dias na cidade, num trabalho de imersão cultural e, por que não, antropológica. O roteiro não á nada pré-estabelecido. O caminho vai sendo traçado à medida que o trabalho é desenvolvido. Sugestão de moradores, curiosidades pessoais e o feeling profissional conduzem a jornada.

Céu de Taubaté pela lente do fotógrafo
Luciano Coca/Divulgação
Apaixonado não só pela fotografia, mas pelas relações humanas, Coca é daqueles que, ao se deparar com um registro histórico, agradece em silêncio os profissionais que tornaram possível essa viagem no tempo por meio das imagens. Desta forma, é quase como um sacerdócio que o fotógrafo encara o projeto que resolveu encabeçar.
“Sempre que vejo uma foto de décadas atrás, penso: ‘bendita hora que esse cidadão resolveu fazer esse clique’. Porque uma foto trivial hoje, que retrate um estacionamento ou o movimento da rua, vai ser um verdadeiro tesouro daqui a algumas décadas. E essa ideia de documentar uma época é a primeira finalidade do projeto. Quero que as imagens, assim como a simbologia que carregam, sirvam de material de pesquisa para as próximas gerações”, afirma.
Nas redes
Sabe aquela ideia de “vamos que no caminho eu te explico”? É mais ou menos desse jeito que o fotógrafo resolveu encarar a empreitada. Contado somente com recursos próprios, Coca ainda não sabe se o projeto se transformará em livro, uma exposição, várias exposições… Por enquanto, é nas redes sociais que o internauta pode acompanhar a aventura fotográfica.
Por meio de sua conta no Instagram e pela página no Facebook, os ensaios vêm sendo compartilhados. Um site com todos os detalhes do projeto também já está saindo do forno. Entretanto, para conseguir um resultado mais consistente, o fotógrafo está em busca de empresas ou pessoas físicas interessadas em apoiar a iniciativa.
“Estou formulando um projeto para captação de recursos em programas como a Lei Rouanet ou o ProAc. Mas não quero ficar esse tempo todo sem produzir. Então aceito recursos com o aquilo que a pessoa pode ajudar. Se pode bancar a gasolina, ótimo! Se um empresário gostou da ideia e quiser conversar sobre a publicação de um livro, ótimo também”, afirma o fotógrafo, que deixou seus canais nas redes sociais abertos para quem se interessar em ajudar na empreitada.
Cursos
Além de passar pelas cidades para registrar suas nuances, Coca também quer aproveitar as andanças para plantar a sementinha do olhar fotográfico nas comunidades por onde estiver. A ideia é de oferecer cursos de fotografia gratuitos durante sua estadia nessas localidades.
“Nada que precise de um equipamento muito elaborado. As fotos podem ser feitas por celular mesmo. O importante é despertar um olhar mais atento aos patrimônios culturais e belezas naturais que os cercam”, conclui.
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