Frio na barriga rumo aos subterrâneos de Londres
Com horário apertadíssimo e tudo, consegui pegar a tempo o voo entre Miami e Orlando. Não sem deixar de considerar que a empreitada seria mais simples se fosse esta uma edição do Profeta Diário, mais influente jornal do universo mágico criado por J.K. Rowling. Não estaria em fila alguma, e sim atirando pó de flu para ir de teletransporte direto ao Beco Diagonal. Ou balançando em uma vassoura, com o prazer da paisagem de pomares de laranja da Flórida.


Parte do Beco Diagonal da nova área do parque do Harry Potter
ArquivoPessoal/HelioInagake
Com horário apertadíssimo e tudo, consegui pegar a tempo o voo entre Miami e Orlando. Não sem deixar de considerar que a empreitada seria mais simples se fosse esta uma edição do Profeta Diário, mais influente jornal do universo mágico criado por J.K. Rowling. Não estaria em fila alguma, e sim atirando pó de flu para ir de teletransporte direto ao Beco Diagonal. Ou balançando em uma vassoura, com o prazer da paisagem de pomares de laranja da Flórida.
Mas, naquele momento, a melhor magia do repórter era mesmo a conversa e sua grande sorte, o funcionário da empresa aérea, que deu um jeito, pulou filas e arrumou um carrinho que buzinava no salão de embarque. Foi por segundos.
O mesmo frio na barriga só viria a se repetir no lançamento de O Mundo Mágico de Harry Potter – Beco Diagonal, para o qual a Universal convidou alguns dos atores dos filmes. Luzes, câmeras, telões, fãs e um tapete vermelho carimbaram a magnitude do evento, com direito a fogos de artifício sobre a Estação Leicester Square, de Londres, reproduzida agora no parque.
Camuflado
Como nos livros e filmes, o acesso ao Beco Diagonal, um lugar secreto no subsolo da capital inglesa, está camuflado detrás de uma parede. Antes de passar por ela, é possível comprar lembrancinhas londrinas, mas as referências a Harry Potter já afloram.
Chama a atenção o Nôitibus Andante, ônibus mágico de três andares. Pausa para fotos com o cobrador Stanislau Shupike e a cabeça encolhida falante, sempre por ali. A casa número 12 do Largo Grimmauld, recorrente na série, figura discreta a alguns passos do Nôitibus e o único movimento é o das cortinas na janela, quando Monstro, o elfo doméstico da família Black, dá uma espiada nos turistas lá fora.
Também em Londres está a Estação King’s Cross, por onde se acha o caminho ao Expresso de Hogwarts. Uma atração à parte, o trem leva até a Vila de Hogsmeade, no parque Islands of Adventure, onde está a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, na primeira área dedicada aos personagens de Harry Potter, existente desde 2010.
Atenção
Será necessário comprar ingresso para os dois parques para conhecer tudo.
O Beco Diagonal, ícone da série desde o primeiro livro, onde os bruxos fazem compras e guardam valiosos pertences nos cofres subterrâneos do Banco Gringotes, liderava a lista de possibilidades para a nova área aberta no Universal Studios.
Durante a produção, os criadores estiveram em contato com a escritora J.K. Rowling e chegaram a filmar conteúdo exclusivo com atores dos filmes. Sem contar, porém, com a participação do trio protagonista – Daniel Radcliffe (Harry Potter), Rupert Grint (Rony Weasley) e Emma Watson (Hermione Granger) -, cujas holografias, de toda forma, aparecem no simulador Voo do Hipogrifo, na parte mais antiga do mundo de Potter nos parques Universal.
O período de quatro anos entre os dois lançamentos coincide com o crescimento do público brasileiro no complexo da Universal. A empresa diz, mas não divulga estatísticas. “Mas a América Latina passou a ser um mercado crítico. O Brasil está no topo da lista e o brasileiro é o povo mais gastador”, diz Marcos Paes de Barros, diretor da Universal Orlando Resort para a América Latina.
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