Gestores apontam alternativas para cultura de Taubaté

Frente a muitas discussões sobre a atuação do Setuc (Secretaria de Turismo e Cultura) de Taubaté, o Meon entrevistou três agentes culturais da cidade para falarem sobre os novos desafios da nova secretária Martha Serra, além de temas como uso de verba da prefeitura, importância de manutenção de prédios históricos, fomento e capacitação de artistas, Plano Municipal de Cultura e incentivo da iniciativa privada em projetos artísticos.

Escrito por: Renan Simão4 min de leitura
fundo_placeholder-023136
mestre_paizinho_cia_de_mocambique_unidos_a_sao_benedito_2_home

Grupo de moçambique do mestre Paizinho, do Parque dos Bandeirantes

Divulgação/Infotau

A Setuc (Secretaria de Turismo e Cultura) de Taubaté apresentou no começo do mês Martha Serra, a terceira secretária da pasta em menos de dois anos, o Meon entrevistou três agentes culturais da cidade para falarem sobre os novos desafios da nova secretária, além de temas como uso de verba da prefeitura, importância de manutenção de prédios históricos, fomento e capacitação de artistas e incentivo da iniciativa privada em projetos artísticos.

Almanaque 
Angelo Rubim, historiador e administrador do site de cultura taubateana Almanaque Urupês, vê que há uma instabilidade na gestão do Setuc. “Há dois ou três grupos que exercem influência na pasta e atravancam os projetos. É difícil ver uma continuidade de programas desde o início da gestão do prefeito Ortiz Júnior por causa dessa sucessão de secretários”, afirma, não citando os nomes dos grupos.

Rubim critica o uso de apenas 32,5% do orçamento do Setuc até julho de 2014, que no total soma cerca de R$ 14 milhões. “O ruim disso é que no futuro talvez vejam isso como uma desculpa para reduzir margens de investimento”, diz.

Contudo, acredita que Martha Serra “vai ter sucesso no Setuc”. “Acho que ela vai colocar a Cultura eixo. Transformou o shopping da cidade, que apesar de ser gestão privada, é uma rede de hierarquia, com processos de compra e licitação parecidos”.

Para Rubim, o essencial não é a utilização dos R$ 6 milhões direcionados a eventos culturais, mas fortalecer iniciativas de restauração de prédios históricos como da capela Nossa Senhora do Pilar e de manutenção de patrimônios imateriais, como os grupos de congada e moçambique.

“Os taubateanos precisam entender mais a cidade com seu patrimônio. E esses grupos tradicionais não podem depender somente da prefeitura para sobreviver. A iniciativa privada precisa ser uma alternativa de alguma maneira e a prefeitura tem que entender isso”.

Quase cinema
“Cultura é uma questão de política pública. O interesse da iniciativa privada é o lucro. O maior interessado em investir em cultura, educação e esporte é a própria cidade. O jovem que participa de projetos culturais não vai para a violência, vai ser uma pessoa melhor e isso é um retorno para a cidade”, conta Ronaldo Robles, diretor da companhia de teatro de sombras Cia. Quase Cinema.

O paulistano radicado em Taubaté fala que a pasta de Cultura na gestão Roberto Peixoto (PEN) “passou vários anos da gestão só passando dinheiro para festas de bairro” e não vê mais essa “política de balcão” na gestão atual. Em relação a Martha Serra, percebe a mudança de secretários com otimismo, alertando-a “que tem muito a fazer”.

Há uma maior necessidade de capacitação de artistas do que de grande eventos, de acordo com o teatrólogo. “É preciso criar editais de fomento e capacitação para criarmos uma classe de artistas. Para que o ator ou o senhor da congada consigam pagar suas contas. Isso deve acontecer primeiro para que o mercado interno dos eventos aconteça”, diz.

Prosa no museu
O gestor cultural Alexandre Malosti, administrador do Museu da Imigração Italiana de Quiririm, endossa que os desafios mais latentes da nova secretária são: “dar continuidade ao Plano Municipal de Cultura [ainda a ser votado na Câmara]; fazer com que a a pasta não seja movida apenas pela realização de eventos, mas que faça o fomento cultural na cidade e dialogue com os gestores e artistas para fazer um mapeamento da cultura que a cidade ainda não possui”.

Malosti é favorável a parcerias público-privadas por buscar a desburocratização de projetos, desde que não signifique uma terceirização da cultura. “A parceria é válida com um acompanhamento do poder público”.

Também equaciona o fomento por meio de editais de cultura. “A cidade precisa investir pesado no fomento porque é através do incentivo aos artistas e gestores que os eventos vão fazer mais sentido e vão ter maior adesão do público”, acredita.

Publicado em: