Guilherme Wisnik, Leonardo Gandolfi e Paula Carnevale discutem o “uso” das cidades
A mesa de debates “A cidade: modos de estar”, na Flim 2016, pretende desvendar a percepção do urbano pelo olhar da arte


Flim 2016 pretende desvendar a percepção do urbano pelo olhar da arte
Divulgação
Usamos ou somos usados? Diante da nossa história, o crescimento dos grandes centros urbanos, saindo de vilas e chegando a metrópoles, inspirou a arte a retratar seus momentos. De quando a cidade era uma esperança acolhedora de uma nova vida ao que vivemos hoje como um espaço desafiador e conflitante, três grandes escritores conversam sobre a arte, a arquitetura, a ação poética e a literatura como meios para ativar a percepção da cidade e da cidadania, no passado e no presente.
Guilherme Wisnik, Leonardo Gandolfi e Paula Carnevale se reúnem às 10h do dia 17 para uma manhã que vai além da simples contemplação do Parque Vicentina Aranha. “Se a literatura fala sobre o campo, isso pode ser uma espécie de resposta à cidade. Aponto isso para dizer que determinada ideia de literatura depende da ideia de cidade. Isto é, a relação com o outro. Descontinuidades, comunicação ou solidão assistida”, diz o poeta Leonardo Gandolfi.
As cidades hoje são o centro de discussões do mundo. São organismos muito mais complexos desde que surgiram como um espaço aglutinador de pessoas. Passamos a usar as cidades e sermos usados por esse organismo à medida que ocupamos, construímos, vivemos e modificamos.
“A poesia que faço, por exemplo, talvez seja um modo de ocupar – mais do que usar – o espaço, entendê-lo e também – em esfera pessoal – modificá-lo. Atribuindo a ele sentidos que não estão para além da minha vivência nele. Ao contrário, esses sentidos são parte da minha vivência. É como se, com os poemas, eu me sentisse mais integrado”, revela o poeta.
É na esfera pública que as diferenças, inerentes à vida nas cidades, são negociadas. Ocupar, tensionar, protestar, resistir são ações vitais nos centros urbanos do mundo hoje, como São Paulo, por exemplo. Ou seja, o “direito à cidade” está de novo em pauta. Nós, cidadãos não queremos apenas usar a cidade, mas também construí-la, o que faz de nós protagonistas desse enredo. Não queremos apenas nossas necessidades, temos desejos de cidades melhores para usarmos e fazermos.
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