Haiti, em busca do recomeço
Turismo pelo Haiti, país da América Central, no Caribe


Águas de um azul em degradê
Fernanda Simas/Estadão
PORTO PRÍNCIPE – Caminhar pela capital Porto Príncipe hoje, cinco anos após o terremoto que deixou cerca de 250 mil mortos no Haiti – completados este mês – significa encontrar prédios em obra e espaços vazios onde outrora estavam casas e edifícios destruídos pelo tremor. No entanto, o país agora quer deixar de ser destino apenas de visitas humanitárias e lembrar ao mundo que está no Caribe e tem potencial para atrair turistas.
Ainda em reconstrução, o Haiti tenta desvincular sua imagem da tragédia de 2010. O Ministério do Turismo local investe em propaganda e concede incentivos fiscais a empresas e redes hoteleiras. De acordo com o órgão, em 2013 o país recebeu 20% mais turistas, 78% deles vindos do Canadá, Estados Unidos e México.
Segundo a ministra do Turismo, Stéphanie Balmir Villadrouin, o principal desafio é convencer visitantes a virem ao Haiti. “Podemos gastar muito com propaganda, mas não é o mesmo que ter pequenos grupos de pessoas aqui, visitando.”
A infraestrutura precária da capital ajuda a explicar a dificuldade. Não há saneamento básico na maioria dos locais e falta energia ao longo de 11 horas por dia. Para compensar, os hotéis se transformam em ilhas, onde a água é tratada de forma particular, a luz, fornecida por geradores e a segurança, garantida por homens armados nas portas.
Hoje, empresários são os principais visitantes, levados pelos negócios ligados à reconstrução do país. Mas não são vistos com frequência pelas ruas, já que, em geral, usam carro e transporte oferecido pelos hotéis para evitar o assédio dos haitianos que pedem dinheiro e buscam trabalho temporário.
Em Pétion-Ville, região mais rica do país, haitianos vendem roupas, pinturas e comida em barracas improvisadas e nos portões das casas. Outros oferecem o serviço de lavar carros dos empresários e diplomatas. No fim de semana, ruas ficam ocupadas com veículos importados, jipes e SUVs sendo lavados.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Aberto em 1983, o Museu do Pantheón Nacional Haitiano (509- 2222-8337) conta a história local e homenageia os chamados Pais da Nação, cidadãos que morreram lutando pela independência, conquistada em 1804. Exposto está também um dos orgulhos dos haitianos, o sino tocado em 1793, quando a escravidão acabou no país – o Haiti foi o primeiro no mundo a abolir a escravidão. Há outro sino, o da Catedral de Porto Príncipe, destruída no terremoto de 2010. O bem preservado Fort Jacques, a 12 quilômetros de Porto Príncipe, foi construído após a independência por Alexandre Pétion. Charles Proface, que trabalha ali como guia, mostra com orgulho os canhões e os espaços usados pelos soldados. A vista é da baía de Porto Príncipe. Aos sábados, famílias e grupos fazem piqueniques e dançam ao som de músicas creoles.
NATUREZA
Para atrair não só engravatados, mas também turistas atrás de sol e mar, que costumam procurar a vizinha de ilha República Dominicana, o Haiti tenta promover a ideia de aproveitar o Caribe em praias virgens e não dominadas por resorts.
O canadense Rian comprou a ideia. No Haiti pela quinta vez a trabalho, esperaria a namorada para passar o ano-novo em alguma praia. “Tem muito potencial, mas é desorganizado, precisa de estrutura”, disse.
Durante um passeio de barco até a ilha La Gonâve, o mar varia entre tons de azul, do claro ao mais escuro. Montanhas quase despovoadas compõem o cenário. Na água cristalina é possível avistar peixes e estrelas-do-mar sem máscara. Empresários haitianos costumam passear de barco pelo local nos fins de semana. Para os turistas, um americano abriu a Marina Blue (marinabluehaiti.com) e oferece passeios de barco e mergulho.
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