Ilhas de sossego: conheça lugares para dar um tempo da tecnologia

Seja em Dublin, Maldivas ou em Chicago, aproveite os benefícios de viajar offline

Escrito por: Meon Redação8 min de leitura
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W Resort na Maldivas, lugar totalmente desconectado

Divulgação

De fato, ninguém precisa pagar nada para jogar o celular de lado, desligar o iPad e o notebook e ir dar uma caminhada, ou se estirar ao sol à beira da piscina, ou meditar. Se você consegue por conta própria, parabéns. Mas há quem precise de uma ajuda extra para se desintoxicar do excesso de tecnologia presente na vida cotidiana.

A China reconhece o vício em internet como uma patologia – o tratamento é duro e inclui práticas militares. Não é preciso, contudo, chegar a tais extremos: no Brasil e no exterior, hotéis oferecem programas relaxantes para um detox digital.

Catorze meses atrás, eu não tinha WhatsApp e não estava familiarizada com a dinâmica urgente do aplicativo de troca de mensagens via smartphone. Então, em uma mesa de jantar com quatro companheiros, me vi provocando um riso geral ao perguntar o que era aquele alerta sonoro idêntico que vazava dos telefones de todos.

Estávamos em um hotel de negócios no centro de Buenos Aires, na Argentina, conectado como deve ser uma hospedagem contemporânea com tal perfil. E, apesar de ter demorado para aderir às mensagens instantâneas, não sou exatamente alguém que pode se definir como usuária zen da tecnologia.

Dias antes, instalados em um isolado hotel nos arredores da cidadezinha vitivinícola de Cafayate, no norte do país, havíamos passado por uma espécie de detox digital involuntário. No hotel-butique Alta La Luna, o Wi-Fi estava disponível apenas em uma saleta com sofás ao lado da recepção e, mesmo ali, conectar-se era uma aventura.

A primeira reação foi sofrer da mesma síndrome de abstinência que segurou os demais integrantes do meu grupo até tarde na saleta, em uma luta inglória pelo sinal de Wi-Fi ruim. Depois, acabei gostando de constatar que o celular não poderia me acompanhar à cama. Fui deitar com Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones e personagem da deliciosa biografia Vida, que eu lia no momento.

Para encurtar a história, conto logo que, nas duas noites que passei no Alta La Luna, a leitura avançou como não tinha ocorrido nas semanas anteriores. E que, em uma das manhãs bem cedo, ao acordar, me enrolei num cobertor e fui sentar no cadeirão da varanda do meu quarto, para ver o dia gelado acabar de nascer sobre o vinhedo estendido à minha frente.

Como o Alta La Luna (altalaluna.com; diárias desde US$ 180 por casal, sem taxas), outros hotéis pelo mundo forçam o hóspede a abrir mão da conexão em tempo integral. Alguns estabelecimentos simplesmente desistem de investir em potentes mecanismos de acesso digital; outros montam ambientes livres de tecnologia ou estruturam pacotes para um detox digital – modalidade cada vez mais cheia de adeptos.

Nos dois casos, o investimento é em programação que ocupe o vazio existencial deixado pela ausência dos e-mails, das mensagens, da postagem frenética de selfies. Nem sempre são opções baratas e, sim, pode-se dizer que cobram mais por menos, já que o apelo principal das hospedagens em questão é justamente o que não oferecem.

Kit de sobrevivência
Fica à sua escolha trancar os gadgets no cofre do hotel ou no de seu próprio apartamento no elegante The Westin, em Dublin. Nosso conselho: deixe os aparelhos longe de seu alcance (até para não cair na tentação de captar um Wi-Fi qualquer pela janela, o que é comum e fácil em cidades grandes). E reserve seu espaço particular para os mimos incluídos no pacote: café da manhã na cama e massagem feita no próprio quarto, desenhada para desfazer os nós e pontos de tensão provocados por horas ao teclado do computador ou do celular.

No “kit de sobrevivência detox” entregue aos hóspedes está o mínimo de informação necessária ao período: mapa para descobrir a área turística da capital da Irlanda a pé e jornal do dia (de papel, claro). E, ainda, jogo de tabuleiro, para provar que existe diversão offline, jogo de acessórios para jardinagem e vela aromática de chá branco. Desde 175 por pessoa em quarto duplo; thewestindublin.com.

Ilha particular
É na sua ilha particular, um apêndice do luxuoso resort W entre as águas transparentes das Maldivas, que você terá momentos totalmente desconectados. A ilhota Gaathafushi costuma estrelar pacotes específicos. Atualmente, é possível reservar seu lugar ali para um programa de réveillon que incluirá café da manhã, champanhe à vontade, jantar com caviar e lagosta, queima de fogos particular, excursão privada de pesca esportiva e, claro, nada de internet ou sinal de celular. Outra opção, entre 5 e 20 de janeiro, tem como ponto central a sessão de tratamento facial com a especialista Su-Man, que tem na carteira de clientes Anne Hathaway e Juliette Binoche, e inclui ainda jantar e sessão de pilates.

As diárias no complexo começam em US$ 1.500, para dois, no quarto mais básico. A reserva mínima é de 5 noites (uma delas, na ilha Gaathafushi). Mais: wretreatmaldives.com.

Áreas livres
Depois de uma pesquisa feita com quase 1,2 mil hóspedes ao longo do ano de 2012, a rede Marriott (que inclui a marca Renaissance) decidiu instalar tech free zones, ou áreas livres de tecnologia, em nove de seus resorts no Caribe e no México. Entre os resultados do levantamento, 85% dos pesquisados disseram ficar incomodados com conversas de terceiros ao celular enquanto tentam relaxar; metade admitiu checar e-mails muitas vezes por dia durante as férias, e 36% disseram fazer isso na praia; outros 31% reconheceram que já tiveram vontade de atirar o celular ao mar.

As Braincation são áreas projetadas para ler tranquilamente, conversar ao vivo e aproveitar a paisagem. Nem adianta tentar burlar a regra porque não tem Wi-Fi por ali. Disponível nos resorts do grupo em Aruba, Curaçau, Cancún, Puerto Vallarta, Ilhas Virgens Americanas, Grand Cayman e St. Kitts.

No meio do mato
Foi mesmo de propósito que os proprietários da Pousada Ronco do Bugio, em Piedade, a cerca de 100 quilômetros da cidade de São Paulo, não instalaram antena de celular na propriedade, literalmente no meio do mato. O Wi-Fi só foi instalado no ano passado, mas tem uma particularidade irritante ou bem-vinda, a depender do ponto de vista: depois de poucos minutos inativa, a conexão cai, e é preciso refazer todo o processo de login para continuar a navegação. O objetivo é que o hóspede só seja encontrado quando quiser – nada de WhatsApp apitando toda hora, nem de alerta de novo e-mail na caixa de entrada.

A mudança de ares começa na chegada. Os poucos passos entre o estacionamento e a área das 14 acomodações, decoradas com artesanato e lembranças de viagem, são por uma passarela de madeira suspensa, envolvida pela densa vegetação. Assim, a conexão com a vida urbana fica para trás.

Há massagens (entre R$ 90 e R$ 280), espaço para meditar e restaurante fino. Diárias custam de R$ 625 a R$ 1.124 por casal, com café da manhã servido individualmente até as 16 horas. A pousada tem site (roncodobugio.com.br), mas, reserva, só por telefone: (15) 3299-8600 ou (11) 9-8259-7788.

Tankamana, calmaria serrana
Na Pousada Tankamana, em Itaipava, no Estado do Rio, os únicos ambientes com Wi-Fi são os chalés – e, no check-in, o hóspede pode pedir para que seja desligado. As montanhas que circundam a propriedade e formam o Vale do Cuiabá tornam quase inexistente o sinal de celular.

Assim, vai sobrar tempo para curtir uma sessão de cinema na sala para 14 pessoas com lareira e programação customizada, onde se pode pedir vinho, pipoca e cobertor; ou para fazer uma visita à horta orgânica e escolher produtos para levar para casa.

Há piscina natural, saunas e salão de jogos, além de cavalgada e caminhada que conduzem por uma trilha de 3 quilômetros até o ponto mais alto da região. Diárias custam entre R$ 600 e R$ 1 100: tankamana.com.br.

Suíte da tranquilidade
Não há televisão na sala de estar da suíte. Na chegada, o hóspede encontrará o espaço cheio de jogos de tabuleiro, caderno, lápis de cor, além dos livros, revistas e jornais indicados em um questionário enviado pelo concierge depois de feita a reserva. Batizado de Black Out, o programa de detox digital do hotel Kimpton Monaco Chicago tem como espaço exclusivo a Tranquility Suite, projetada para abrigar quem opta por um pernoite (ou mais de um) desconectado. O que inclui janelas antirruído e namoradeiras estrategicamente instaladas diante da ampla janela, de onde são vistos o Rio Chicago e a linha de arranha-céus da área central da cidade.

Os gadgets do hóspede são recolhidos no momento do check-in e ficam no cofre do hotel – para ninguém burlar o detox. As diárias começam em US$ 400, para dois: monaco-chicago.com.

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