insPirações – Espírito livre
Vestir é uma arte que vai além das peças

Uma professora da pós-graduação pediu para passarmos 3 horas estudando em alguma livraria para criar um repertório maior de inspirações, isso me fez lembrar um texto de Bruno Astuto em que desvendava a lista dos livros que Lagerfeld comprou em uma livraria e serviria como pista para a próxima coleção da Chanel.
Pensando nisso revolvi contar quais tem sido as minhas inspirações, afinal, vestir é uma arte que vai além das peças e preciso admitir que me surpreendi com o fato de todas terem um ponto em comum: a liberdade.

Telas com cores fortes no fundo e padrões formados por objetos cotidianos
Reprodução/Canada Gallery
ARTISTA PLÁSTICA
Katherine Bernhardt
Preciso dizer que estou obcecada pelas telas dessa norte americana. As mostras Stupid, Crazy, Ridiculous, Funny Patterns de 2014 e Kate, Gisele, Natalia, Agyness, Simon, Kanye & George de 2008 são minhas favoritas. A primeira são telas com cores fortes no fundo e padrões formados por objetos cotidianos, como cigarros, pizzas, laptops, meias, aviões e afins, já a segunda são releituras de poses de personalidades do mundo da moda.
LITERATURA
Quando assisti a cinebiografia de Tim Maia fiquei apaixonada pelos óculos giga, bocas de sino e, lógico, pelo estilo de vida da época, então quando eu vi “As sete vidas de Nelson Motta” na prateleira, comprei imediatamente. O novo livro do autor de Vale Tudo, livro que deu origem ao filme de Tim, é uma compliação de colunas que o jornalista assinou durante toda sua carreira com alguns textos novos para servir de adendo pela história dele e da música nas últimas décadas.
Longe de ser uma pessimista com o cenário musical atual, mas fiquei maravilhada com as histórias de um país sem um mainstream musical formado prioritariamente por estilos universitários e músicas internacionais com batidas e refrões repetitivos. Sem contar a linha de tempo traçada apresentando a esfera vivida pelo pessoal da bossa nova, tropicália, cinema novo, dance music, rock 80…
Como não terminar os textos extremamente inspirada?
Para ler todos os dias: A Cruzada Tropicalista – coluna sarcástica de Nelsinho que deu origem ao movimento.
MÚSICA
Como disse acima, não sou uma pessimista do cenário musical e ao mesmo tempo sou e estou mais apaixonada do que nunca pela tropicália, então esse mash up de Gorillaz com Mutantes tem alegrado meus rolês.

It Girl executa o estilo boho com expertisse
Reprodução/Instagram/Paula Magalhães
IT GIRL
No extremo contágio dessa onda tropicalista, me deparei com o Instagram da jornalista baiana Paula Magalhães, neta de ACM. Ela executa o estilo boho com a expertisse que só alguém que nasceu na terra de Jorge Amado conseguiria. Óculos redondinho, kimonos, comprimento midi e muitos acessórios povoam os looks da Paula que usa peças acessíveis, garimpadas e vive divulgando marcas incríveis e autorais do nordeste.
COMPRAS
Falando em hippie e pós-graduação, considerando parte como aprendizado, parte como forma sustentável de suprir meu espírito consumista, estou desbravando a capital através de brechós ao meu redor. De camisa anos 80 à bolsa de acrílico ladylike francesa, estou apaixonada pela informação e pelos produtos que podemos adquirir nesse segmento e a hospitalidade que lhe recebem. Meus favoritos são: Isa Fashion, Brechó Duó e B.Luxo.

Forma sustentável de suprir o espírito consumista é através de brechós
Arquivo/B. Luxo

Meia altíssima da American Appareal
Reprodução/American Appareal
FILME
Como não se apaixonar por Starlet? Um filme indie que tem todos os elementos do espírito livre: um personagem com disparidade de gênero, uma amizade entre duas pessoas opostas, fotografia em tons pasteis e uma descendente de Hemingway. Ahh e tem no Netflix! Além da décor vintage do filme, o chapéu francês de Starlet e a meia altíssima da American Appareal são meus desejos imediatos.
SERIADO
Mad Men está se despedindo com o título de ser uma das produções mais fiéis à época e pelo impecável figurino. A roupa, aliás, foi uma grande aliada na composição das personagens, por exemplo, Betty Draper, apesar de ser uma cópia de Grace Kelly com seus vestidos New Look Dior foi uma das personagens mais “badass” de toda séria, assim como a insinuante Joan e seus vestidos justos, que na verdade só escondiam o fato de ser alguém com múltiplos talentos, não alguém que precisa do corpo pra subir na vida, isso sem contar a Peggy, com toda sua caretice visual mas com pensamento de vanguarda. Essas mulheres mostram durante dezenas de episódios que é possível ser mulher e livre, só que a batalha é diária.

Essas mulheres mostram durante dezenas de episódios que é possível ser livre
Michael Yarish/AMC
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