Islândia tem senha para ver a inesquecível dança iluminada
Estávamos no fim do jantar quando um grupo de hóspedes invadiu o restaurante do Hotel Rangá aos gritos: “Northern lights! Northern lights!”. As mesas se esvaziaram tão rápido que parecia até incêndio: em segundos, tínhamos corrido todos para o lado de fora em busca das “luzes do norte”, como são chamadas as auroras boreais.


Imagem do fotógrafo britânico James Woodend, tirada no Parque Nacional Jökulsarlon, vencedora do prêmio de Fotógrafo da Astronomia de 2014
Divulgação/James Woodend
Estávamos no fim do jantar quando um grupo de hóspedes invadiu o restaurante do Hotel Rangá aos gritos: “Northern lights! Northern lights!”. As mesas se esvaziaram tão rápido que parecia até incêndio: em segundos, tínhamos corrido todos para o lado de fora em busca das “luzes do norte”, como são chamadas as auroras boreais.
E lá estavam elas. Minha primeira aurora boreal era verde e branca, linda, fascinante, e não se intimidou com a concorrência da lua cheia. Sob suspiros e urros dos espectadores, luzes sublimes pareciam dançar de um ponto a outro do céu, metamorfoseando-se em forma de círculo, de espinha de peixe, pente, asas. Devem ter ficado ali por uns 15 minutos – o suficiente para emocionar a todos.
Ainda que todo viajante amante da natureza sonhe ter essa experiência ao menos uma vez na vida, eu tinha ido à Islândia sem esperança. Setembro marca apenas o início da temporada, que vai se intensificando à medida que as temperaturas caem e as noites ficam mais longas, e termina em meados de abril, quando se aproxima o verão.
Explicando de um jeito simplificado, o fenômeno só pode ser visto à noite nas regiões polares quando partículas expelidas pelo sol atingem o perímetro da alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético do planeta. Pela internet e aplicativos de celular, pode-se saber da probabilidade de as auroras ocorrerem. Mas a visualização sempre depende das condições climáticas.
E planejar as tais caçadas às auroras é difícil. No dia seguinte, por exemplo, o céu fechou e só vimos nuvens cinzas.
Mais abraços
A sorte bateu de novo à nossa porta dois dias depois, quando aconteceu uma tempestade solar justamente quando estávamos em outro ponto da ilha, na região de Thorsmörk, distante da capital Novamente durante o jantar, o guia saiu na varanda e gritou que as auroras tinham voltado. Mais abraços, daqueles felizes de réveillon.
Dessa vez, a dança durou o dobro do tempo. E, agora, as luzes verdes e brancas tinham ganhado também tons de azul e roxo. Fotografá-las, no entanto, não foi tão fácil. Nem toda lente capta a cor. Sem tripé, a foto treme. E a imagem fica melhor quando existe o contorno de uma pessoa, casa ou uma árvore com as luzes ao fundo.
Ter visto a aurora por duas noites – em apenas sete que passei na ilha – justifica a fama da Islândia como um dos melhores pontos de observação no planeta. Ela está localizada à beira do Círculo Polar Ártico, onde ficam outros lugares bons para ver auroras, como Noruega, Suécia, Finlândia e Groenlândia, além de partes do Alasca e da Rússia. Ainda que exista aurora austral, esta é menos famosa porque são poucas as pessoas próximas das calotas de gelo da Antártida onde elas ocorrem – basicamente pesquisadores e turistas de cruzeiros.
Na Islândia, há agências que vendem pacotes com esse foco. “A aurora nos garante uma boa taxa de ocupação, de 84% ao ano”, conta Fridrik Pálsson, proprietário do Hotel Rangá, um dos principais destinos dos caçadores de auroras na Islândia. No hall do hotel, um monitor exibe imagens de auroras anteriores, ao lado de um urso polar empalhado. “Só quem não gosta é nosso chef de cozinha, que vê os clientes desaparecerem bem na hora do jantar”, brinca.
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