Joseense cria grupo em rede social para resgatar memória de São José

Escultor e blogueiro de 41 anos teve ideia ainda na extinta rede “Orkut”

Escrito por: Thiago Fadini4 min de leitura
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Em dois anos de existência, comunidade conta com mais de 14.600 membros

Reprodução Facebook


Criar uma plataforma digital de compartilhamento de informação onde todo e qualquer cidadão possa contribuir com a história da cidade. Esse é o objetivo do grupo “São José de Antigamente”, criado pelo escultor, diretor de arte, videomaker e blogueiro Wagner Moloch, no Facebook.

Para entrar na comunidade é necessário apenas de uma confirmação de entrada do mediador, mas qualquer morador de São José dos Campos pode participar. A ideia de aproximar os joseenses iniciou na extinta rede social Orkut, onde Wagner criava comunidades sobre temas específicos, mas sempre envolvendo o município. Assuntos como ficção científica, ufologia, astronomia, importantes artistas do país não lembrados na web, colecionadores e sobre o passado de São José.

“O alcance era limitado, não tínhamos acesso a tantas informações e também era difícil conseguir motivar o público para trazer material pessoal. Ao longo dos anos realizei alguns vídeos apresentando locais e pessoas de nossa cidade em uma iniciativa pessoal, do próprio bolso, como sempre. A motivação foi sempre o amor pela cidade em que nasci, e nada mais que isso”, contou.

No Facebook a ideia foi repetida, mas desta vez com foco no resgate da memória de lugares que façam parte da histórias dos joseenses. O grupo completou dois anos agora em janeiro e conta com mais de 14.600 membros. A acervo de imagens é de mais de 4.300 fotos, em meio a textos, vídeos e links diversos, tudo devidamente creditado.

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Rua XV de Novembro 81, em frente a Praça Afonso Pena

Wagner Moloch/Arquivo Pessoal

“No início era comum surgirem fotos e informações retiradas de sites já existentes, como da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) por exemplo, que possui um rico e exemplar acervo no Arquivo Público, mas até então as pessoas tinham que ir até ele para pesquisar, com a dinâmica e velocidade da internet o próprio público criou seu acervo pessoal e inédito, e consequentemente aproximando mais os membros”, explicou Wagner.

No entanto, a ideia do escultor começou a ser usada de forma errada. Alguns participantes começaram a criar grupos semelhantes na cidade, retirando imagens e publicando com marca d’água pessoal. Além do plágio e roubo de propriedade intelectual, Wagner Moloch teve que lidar com outra questão: ideias políticas. O grupo então começou a ser mediado com mais rigor pelo administrador.

“Há diversos períodos da história da cidade em debate, e por incrível que pareça com harmonia, pois não há o debate político-partidário por exemplo, deixei algumas regras na “porta de entrada” que ajudam e muito nessa harmonia, e por experiência, os membros mais antigos já presenciaram alguns problemas ocasionados por tal assunto, então os exemplos foram vivos. Sendo assim, todos concordaram em deixar as diferenças de fora, a cidade é maior que isso”, falou.

Com o projeto pessoal indo bem, o mediador do “São José Antigamente” se sente realizado por contribuir com a história da cidade em que nasceu e onde reside. Para ele, saber que pessoas se reencontraram e que memórias foram revividas é a melhor retribuição pelo esforço no desafio de todos os dias unir cidadãos em prol do conhecimento em torno do município.

“Eu mesmo fui surpreendido com a foto de minha primeira professora, me emocionei muito na ocasião, principalmente por saber que ela ainda está viva e bem de saúde. Enfim, nos tornamos historiadores amadores, mas com um entusiasmo profissional. Estou derramando muito suor buscando realizar nosso primeiro e tão esperado encontro para este ano, dentre outras surpresas que irão sacudir a cidade. Viva São José!”.

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Rua Santa Clara, 276, lojas 2, 3 e 4, Vila Adyana

Wagner Moloch/Arquivo Pessoal

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