Bailarino joseense faz carreira em companhia da Suíça

Davidson Farias, 27 anos, prepara-se para a nova premiére da companhia de dança Tanz Luzerner Theater e viajar pela Europa na nova temporada de inverno.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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Davidson Farias, 27 anos, em cena

Divulgação

Enquanto você lê esse texto, um joseense está em Luzern, na Suíça, ensaiando passos para encenar um balé sobre a lenda de Don Juan de Marco.

Davidson Farias, 27 anos, prepara-se para a nova premiére da companhia de dança Tanz Luzerner Theater e para viajar pela Europa na nova temporada de inverno.

O dançarino de balé clássico e contemporâneo que mora no Velho Continente desde 2009, também fez parte da companhia Cisne Negro, do Rio de Janeiro e cresceu nos ensaios da companhia de balé Ana Araújo, em São José dos Campos. E tudo começou com um fechar de cortinas.

“Era menino. Fui assistir ao Festidança [Festival de Dança de São José dos Campos] no Teatro Municipal com uns amigos. Fiquei fascinado com tudo que acontecia no palco, mas queria saber também o que acontecia no backstage. Os bailarinos passavam de um lado para o outro, parecia mágica”, conta.

Depois foi acompanhar um colega numa aula de jazz, fez uma aula experimental e ganhou uma bolsa de estudos logo na primeira aula. “Ganhar a bolsa de estudos foi muito bom, a dança seria algo a mais, mas minha familia não via isso como futuro para mim”.

A fábula de prodígio não foi assim, quase perfeita, no entanto. “Não foi tão fácil assim. Pensei muitas vezes em desistir”, relembra. “Sempre penso que temos que superar nós mesmos em nossas conquistas. O bom nunca é suficiente”, fala, acentuando a dedicação à rotina de treinamento de sete horas por dia, seis dias por semana. Fora os espetáculos, que são 70 por temporada.

Romeu
Davidson afirma que se acostumou com o modo de vida suíço e o frio da terra dos Alpes. Este é o sexto ano do bailarino por lá. Apesar de se dizer adaptado ao país e admirar muitos aspectos do povo europeu, ele não gosta do inverno -que está chegando por lá.

“Gosto só das primeiras semanas de frio, mas depois de três meses quero um lugar ao sol”, brinca. A saudade da família e dos dias quentes não o fazem voltar para o Brasil, pelo menos, não tão cedo.

“Sinto que estou em uma grande fase da minha carreira. Desde que estou aqui, tive a oportunidade de dançar papéis principais como o Romeo, de ‘Romeu e Julieta’, o príncipe Desiré, do balé de ‘Bela Adormecida’, além de outros grandes personagens”, diz o também professor de dança moderna, nas horas vagas.

“Pretendo ser coreógrafo, sei que é isso o que quero fazer quando deixar os palcos, mas ainda tenho muito o que aprender como artista”.

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