Lista de notáveis
Doze culturais, Três mistos e Seis Naturais


A Ilha de Alcatrazes, com grandes paredões rochosos, tem o formato de um Y. Seu ponto mais alto, o Pico da Boa Vista, está 316 metros acima do mar
Kelen Leite/ICMBio
Demorou 20 anos, mas, mais uma vez, a história de que mineiro come quieto vingou. Na lista de indicados do Brasil a Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1996, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, retomou o interesse na candidatura em 2012 e, no último dia 17 de julho, conquistou o título concedido pela Unesco, em cerimônia realizada em Istambul, na Turquia.
Projetado por Oscar Niemeyer e enriquecido pelo paisagismo de Roberto Burle Marx e as pinceladas de Cândido Portinari, o complexo engloba quatro edifícios construídos entre 1942 e 1943 no entorno do espelho d’água da Lagoa da Pampulha, na zona norte da capital mineira.
O mais icônico deles, sem dúvida, é o da Igreja de São Francisco de Assis, de contornos ondulados e traços azuis que lhe garantem um charme inconfundível, próprio dos cartões-postais. Ao seu redor estão o prédio horizontal do antigo cassino que, em 1959, se transformou em museu; a Casa do Baile, atualmente Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de BH; e o Iate Golfe Clube, tombado pelo Iphan em 1994. Todos abertos à visitação.
Com o título, a Pampulha se tornou o 20.º sítio brasileiro na lista da Unesco, fechando um ciclo que começou com outra mineirice, a cidade de Ouro Preto, eleita em 1980. Minas, aliás, é o Estado que mais conta com representantes – são quatro até agora, incluindo o Santuário Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, e o centro histórico de Diamantina.
Para comemorar o título concedido à Pampulha, Belo Horizonte deixou de lado, porém, a tal fama mineira de ser quietinha e investiu em uma agenda cultural extensa, feita em parceria com o Sesc, que vai até 22 de agosto. Tem exposições, corridas, shows e espetáculos infantis – a programação completa está em belohorizonte.mg.gov.br.
Além da Pampulha, a 40.ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial elegeu outros novos 20 sítios espalhados pelo mundo, chegando a 1.052 bens. Seguimos a divisão da própria Unesco entre patrimônios culturais, naturais e mistos e mostramos quais são eles para você já incluir em seu próximo roteiro.
Doze culturais
América, Europa, Ásia e Oceania
Os 12 novos Patrimônios Culturais da Humanidade, entre eles a Pampulha, estão espalhados por todos os continentes, exceto a África. Para entrar nessa cobiçada lista, é preciso atender a um ou mais critérios, entre eles o de ser um exemplar arquitetônico que represente um estágio histórico significativo.
Na Europa, foram eleitos os dolmens de Antequera, na região espanhola da Andaluzia; o sítio arqueológico de Filipe, na Grécia; o complexo da caverna de Gorham, no Rochedo de Gibraltar; os cemitérios e lápides medievais de Stecci, entre a Bósnia-Herzegovina, Croácia, Sérvia e Montenegro; e ainda o conjunto do renomado arquiteto franco-suíço Le Corbusier, com obras na Bélgica, França, Alemanha e Suíça, além de Japão, Índia e Argentina.
Na Ásia, o sítio arqueológico de Ani, na Turquia, e o de Nalanda Mahavihara, na Índia, entraram para a lista ao lado do qanat (um tipo de sistema de gestão de água) persa, no Irã, e do conjunto de arte rupestre Zuojiang Huashan, na China.
Oceania e Caribe também ganharam patrimônios culturais. No primeiro, foram as ilhas Nan Madol, na Micronésia. No segundo, o histórico estaleiro do arquipélago de Antígua e Barbuda.
Três mistos
África e Ásia
Dentro dos dez critérios estabelecidos pela Unesco para a escolha das duas categorias principais – culturais e naturais – há sempre aqueles sítios que se enquadram nos dois grupos. Em 2016, três deles foram consideradas mistos. O primeiro está em Chade, na África. Trata-se do arenito de Ennedi Massif, com falésias, arcos naturais e arte rupestre.
Os outros dois estão na Ásia. O indiano Parque Nacional Khangchendzonga, no coração da Cordilheira do Himalaia, cercado de histórias sagradas, e os pântanos e sítios arqueológicos de Ahwar, no sul do Iraque, onde se desenvolveram importantíssimas cidades sumérias do sul da Mesopotâmia.
Seis Naturais
América, Europa e Ásia
Os Patrimônios Naturais da Humanidade, em quantidade mais modesta – são ao todo 203, dos quais sete são brasileiros -, mas tão importantes quanto os culturais, ganharam mais seis novos representantes este ano.
A África aumentou para 41 seu número de bens naturais – 14 deles estão sob risco – com a entrada de três sítios do Sudão: o Parque Marinho Nacional de Sangareb, a Baía de Dundonab e o Parque Nacional Marinho da Ilha de Mukkawar.
Enquanto isso, na América, são dois novos nomes, o Arquipélago de Revillagigedo, no México, e a Ilha de Newfoundland, na parte leste do Canadá. A Ásia ganhou força com Hubbei Shennongjia, na China, uma área de florestas primárias remanescentes e concentração de animais raros, com o deserto de Lut, o mais quente do mundo, localizado no sudeste do Irã, e a cadeia montanhosa Tien-Shan, que atravessa o Casaquistão, o Usbequistão e o Quirguistão.
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