Lucerna é a cidade suiça dos festivais
Rio Reuss: alpes suiços estão longe ali na moldura de Lucerna Divulgação No coração da Suíça, bate uma cidadezinha Bate, não: acaricia. Acaricia olhos e alma, oferecendo uma paisagem que parece ter saído de uma pintura ou daqueles quebra-cabeças de milhares de peças. Lucerna, conhecida como “a cidade dos festivais”, faz parte de um grupo […]


Rio Reuss: alpes suiços estão longe ali na moldura de Lucerna
Divulgação
No coração da Suíça, bate uma cidadezinha Bate, não: acaricia. Acaricia olhos e alma, oferecendo uma paisagem que parece ter saído de uma pintura ou daqueles quebra-cabeças de milhares de peças. Lucerna, conhecida como “a cidade dos festivais”, faz parte de um grupo restrito de lugares em que a época do ano escolhida para visitá-la não importa – sempre há algo interessante para se ver e fazer, mesmo durante as baixas temperaturas do inverno.
Estive lá em dezembro, quando, apesar de os termômetros já estarem marcando temperaturas negativas, a neve ainda não tinha dado o ar da graça – mas sair à noite sem luvas e um bom casaco já era inviável. O sol, no entanto, brilhou todos os dias. Uma sorte, me disseram: céu azul sem névoa, nessa época do ano, seria uma raridade.
Os Alpes Suíços estão logo ali, como uma moldura, mudando de cor ao longo do dia: amanhecem branquinhos, ficam avermelhados no fim de tarde e, à noite, parecem prateados.
Sobre o Rio Reuss, o principal cartão-postal da cidade: a Kapellbrücke (Ponte da Capela), erguida no século 14. No século 17, o artista Henry Wagmann fez 147 pinturas nas vigas do teto. Mas, em 1993, um incêndio destruiu 100 delas. Uma pena.
Pela Kapellbrücke, chega-se à Cidade Antiga, de ruas estreitas e construções medievais. Caminhar por ali significa prestar atenção nos detalhes. Nas fontes que jorram água pura (pode encher sua garrafinha sem medo). Nos afrescos das paredes, tradição local. Em lojinhas escondidas, como a Antiquitäten Mr. George (antik-shop.ch), que mais parece a casa de uma bruxa, tamanha a quantidade de vidrinhos e prateleiras. No interior decorado da Igreja dos Jesuítas, construída em 1666.
Lucerna foi uma das muitas cidades muradas da Europa – 870 metros delas, com três torres intactas, ainda podem ser visitadas. Na terra dos relógios, ali fica o mais antigo da cidade, de 1535, que tem uma particularidade: toca sempre um minuto antes dos outros, para que seu som possa ser ouvido sem concorrência.
E se o chocolate suíço tem sua (merecida) fama, as casas especializadas exibem uma infinidade de misturas: com pimenta, nozes, avelãs, frutas. As lâminas, finas como papel, ficam expostas na vitrine e você escolhe o tamanho do pedaço que quer. Humm…
Apesar do sabor incomparável dos tabletes, confesso que não tomei por ali nenhum chocolate quente digno de nota. Por outro lado, me esbaldei no vinho quente dos mercados natalinos de dezembro e no fondue, que, além de pãezinhos, acompanha batatinhas assadas para molhar no queijo derretido. Dos deuses. Provei no Fondue House Spycher (fondue-house.ch), cuja decoração parece a de uma casa de fazenda.
Não se engane com a aparente simplicidade do local: os preços são altos (lembre-se, estamos na Suíça). Assim, o fondue de três queijos, para duas pessoas, custa 65,50 francos suíços (R$ 175) para cada um. E sem bebidas.
Caminhada
Navegar é preciso. Caminhar pelo centro é divertido e necessário, mas um passeio de barco pelo Lago Lucerna é fundamental. As embarcações partem várias vezes ao dia do centro da cidade, com direito a paradas em vilarejos do caminho.
Vitznau é uma delas. Logo ao descer, o visitante já embarca em um trem rumo a Rigi, conhecida como “a rainha das montanhas”. A linha, construída em 1871, leva os visitantes a uma vila tranquila, a quase 2 mil metros de altitude, onde a diversão se resume a fazer trilhas no verão, esquiar no inverno ou relaxar nos spas. Outra parada popular é Alpnachstad, de onde partem trens para o topo do Pilatus, a 2.132 metros de altitude.
Mesmo no inverno, o passeio pelo imenso e cristalino lago permite observar moradores remando em seus caiaques, turistas passeando à beira-rio, aproveitando o sol delicado, e uma paisagem terapêutica, que acalma e faz sorrir. No verão, dizem, o agito é ainda maior.
Mas fevereiro também é mês de festa por lá. Dia 27 começa o Fasnacht, o carnaval da cidade, com desfiles coloridos, gente fantasiada e muita música. As festividades este ano vão até 4 de março.
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