Mestre de Taubaté completa 10 anos como “rei” da cultura popular
Não parece, mas o senhor que chega no Mistau (Museu da Imagem e do Som de Taubaté) em cima de uma bicicleta motorizada chamada “Jurema”, de capacete e óculos de proteção, recebeu a nomeação de Rei Congo, título dado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo a mestres da cultura popular do Estado.


Mestre Paizinho, que comanda a Cia. de Moçambique – Unidos a São Benedito
Renan Simão/Meon
Não parece, mas o senhor que chega no Mistau (Museu da Imagem e do Som de Taubaté) em cima de uma bicicleta motorizada chamada “Jurema”, de capacete e óculos de proteção, recebeu a nomeação de Rei Congo, título dado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo a mestres da cultura popular do Estado.
Geraldo de Paula Santana, o mestre Paizinho, líder do Grupo de Adoração aos Presépios e da Cia. de Moçambique – Unidos a São Benedito, completa dez anos da coroação de Rei Congo e, por causa da data, é homenageado até o dia 5 de outubro com a exposição “Benedito: Fé, Fazeres e Devoção” em homenagem ao santo devoto dos grupos que Paizinho toca, em especial o de moçambique -manifestação de dança, canto e percussão de louvor à fé católica.
O meio de transporte a motor é uma “bênção”, como diz. “Assim está bem mellhor, mas o transporte nunca foi problema. Se é uma missão, eu vou, nem que seja a pé”, afirma o senhor de 49 anos, não se importando com a leve gagueira.
Sempre fala em “missão”, referindo-se à adoração de São Benedito, seja como mestre do moçambique, folião de reis, líder da catira ou mesmo como capelão, quando é chamado para fazer uma oração por alguém da região de seu bairro, o Parque dos Bandeirantes, periferia de Taubaté. “A gente ajoelha em esteira ainda”, frisa com naturalidade.
Junto de fotografias e estandartes do moçambique dos grupos de Paizinho, também estão expostas no Mistau instalações que refazem a cozinha de São Benedito e imagens do santo cozinheiro pelo mundo. Tudo com o motivo de lembrar do Rei Congo taubateano, o oitavo de 15 nomes na hierarquia da realeza popular do Estado de São Paulo.
Ser mestre
Paizinho aprendeu a tocar e cantar moçambique com o avô Francisco Tomé e com o pai, mestre Paizão, homem de 1,95 metro de altura -o apelido no diminutivo explica-se pelo 1,60 metro do atual mestre. “Sempre fui contra-mestre, tocando triângulo atrás do meu pai. Aí a gente foi tocar na praça Dom Epaminondas. O Paizão me falou: ‘Geraldo, hoje você vai cantar. Não precisa ficar nervoso, só cantar com humildade’. Eu tremia, mas consegui”. Foi a primeira vez que Paizinho foi mestre.
Embora liderando um grupo de 67 anos de história e representando o moçambique de Taubaté no Estado de São Paulo, o mestre lamenta que a dança não tenha tantos adeptos. Nos tempos de Paizão, havia 18 grupos de moçambique na cidade, hoje são três. O motivo seria a dificuldade financeira de manter viva a tradição.
“É difícil continuar porque os filhos dos mestres veem o sofrimento que é para continuar com os grupos. E a prefeitura nem sempre ajuda também. Mas vou naquilo que o Paizão me confiou, vou caminhar até São Benedito me chamar”.
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