Mix arquitetônico entre vielas em Toledo, Espanha

Medieval e sofisticada são adjetivos que dificilmente estariam na mesma frase.

Escrito por: Felipe Mortara3 min de leitura
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Toledo, Espanha

Felipe Mortara/Estadão

Medieval e sofisticada são adjetivos que dificilmente estariam na mesma frase. No entanto, Toledo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1986, conseguiu essa façanha ao longo dos séculos. Baluarte multicultural e de tolerância religiosa, a cidade tem muito a ensinar sobre o convívio entre religiões, já que aqui coexistiram – e ainda convivem – cristãos, árabes e judeus.

As vielas labirínticas bem que tentam confundir os turistas, mas a cidade tem farta sinalização. Por exemplo, achar a Catedral de la Asumpción é moleza, entrar custa 8, mas sair é triste. Síntese do poder da cidade, foi erguida entre 1226 e 1463 sobre a antiga mesquita e a basílica visigoda. Apenas para dimensionar a riqueza das esculturas e vitrais, até 1830 a terceira maior fortuna espanhola era a da Arquidiocese de Toledo.

Convertida em igreja ao longo da história, a Mesquita Cristo de la Luz ( 2,50; Calle Cristo de la Luz, 22) é um pequenino prédio de estilo mudéjar que evidencia a presença árabe. Já as sinagogas intrigam: a Del Transito, erguida em 1355, tem o teto forrado por mosaicos de pinho em estilo mudéjar e abriga o Museu Sefardi (3; museosefardi.mcu.es), que oferece um panorama sobre a cultura judaica.

Já a de Santa Maria La Blanca (entrada 2,50) desafia ainda mais a lógica. Tem nome de santa cristã, arquitetura em estilo árabe e freiras transitando pelo jardim. Para completar o imbróglio étnico-religioso, uma exposição de peças históricas, patrocinada por uma organização católica que, por sua vez, foi fundada por um judeu convertido. Na Calle de los Reyes Católicos, 4.

HERANÇA
A mistura arquitetônica e cultural tem origem na história da cidade. Batizada Toletum pelos romanos que ali chegaram em 192 a C., foi ornada com templos, teatros e aquedutos. E coroada com a Ponte de Alcântara, que cruza o Rio Tajo, ou Tejo – o mesmo que vai desaguar em Portugal. Tudo isso para, em seguida, se transformar em capital do reino visigodo pós-romano, até ser tomada pelos mouros em 711.

Pelos idos de 1085, a chegada das tropas cristãs de Alfonso VI transformou o pluralismo em debandada. Os ultimatos dados a muçulmanos e judeus para que se convertessem ou partissem impuseram um fim temporário à coexistência religiosa. O tempo se encarregou do rearranjo.

Toledo foi ainda capital do reino da Espanha e, no fim do século 15, fundou sua Escola de Tradutores. Posteriomente, se converteu em um dos grandes centros de ensino e arte do país.

ÀS ARTES
1- El Greco
O legado artístico do século 16 está representado por El Greco, que viveu em Toledo e deixou por lá obras como O Enterro do Conde de Orgaz, no Convento de Santo Domingo El Antíguo (entrada: 2,50)

2- Cerâmica e marzipã
A fama de Toledo também se fez por sua cerâmica mudéjar, com detalhes dourados, um clássico local. Assim como o marzipã, doce à base de amêndoas que a San Tomé (mazapan.com) faz desde 1856.

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