Noronha: objeto de desejo
De abril a junho tudo na ilha entra em promoção


Praia do Leão, em Fernando de Noronha: ampla faixa de areia e poucos frequentadores
Felipe Mortara/Estadão Conteúdo
Se ao avistar estas terras Américo Vespúcio proclamou que “o paraíso é aqui”, quem sou eu para discordar? Pelos idos de 1503 já planavam atobás e fragatas pelas 20 ilhas e ilhotas do arquipélago vulcânico encravado a 540 quilômetros da costa. Golfinhos serpenteavam, tubarões farejavam cardumes de sardinhas sob as arrebentações e tartarugas punham seus ovos em praias que nem sequer tinham nome. Tudo isso continua a se passar diariamente, mas, hoje, este lugar é destino cobiçado por turistas. Difícil explicar o que só Fernando de Noronha tem.
Noronha é sonho, e sonho não tem lógica, tem intensidade. Na vista do pôr do sol no mirante do Boldró, no cheiro de maresia, no ruído das aves, no sabor do peixe na folha de bananeira, na textura das areias. Intensa na história de seus dez fortes, hoje em ruínas, e na delicada Vila dos Remédios. Ah, e no bolso. Assim como a energia pulsante da ilha, os preços têm um coeficiente multiplicador – e talvez por isso mesmo se mantenha ilhada no oceano idílico das férias do brasileiro.
A ilha é cara, mas há alguma lógica. Além de poucas verduras, nada é produzido por lá. Do iogurte do café da manhã ao combustível do barco de mergulho, tudo navega por três dias ou voa do Recife e de Natal até o aeroporto mais oriental do País.
Nos últimos anos, a EcoNoronha, concessionária que administra a área do parque nacional, inaugurou os postos de informação e controle (PICs) e uma série de trilhas acessíveis, que permitem o acesso de cadeirantes aos mirantes do Sancho, da Baía dos Golfinhos e dos Porcos. Na praia do Sueste, há cadeiras adaptadas para que todos possam entrar na água com segurança.
Planeje-se
Qualquer amante da tríade areia, sol e mar perceberá que chegou no topo da cadeia alimentar praieira. Sancho foi eleita por internautas do TripAdvisor como a praia mais bonita do Brasil e do mundo em 2014. Mas, de certa forma, é injusto ranquear a beleza desta e de outras joias, como Praia do Leão, Cacimba do Padre e Baía dos Porcos, com seu visual clichê de Noronha. O morro Dois Irmãos emoldura postagens de Instagram dos felizardos que estão ali agora, enquanto você lê estas linhas.
Com planejamento e algumas economias dá para morder um naco de paraíso, como fizeram 76 mil visitantes em 2014. Para não ir à bancarrota, evite a alta temporada, de julho a março. Dezenas de pousadas, restaurantes e operadoras participam da campanha Mais Noronha e oferecem descontos de até 30% na baixa, entre abril e junho (a lista está em noronha.pe.gov.br). Tudo barateia, até passagens aéreas – aos fins de semana, é possível encontrar promoções com ida e volta de São Paulo por cerca de R$ 1 mil.
O que não é negociável são os valores do ingresso do Parque Nacional Marinho (R$ 75 para brasileiros e R$ 150 para estrangeiros) e a taxa de preservação ambiental, R$ 298,84 por uma semana – se ousar passar um mês, a conta chega a R$ 3.976,50.
A baixa temporada tem outras vantagens: menos gente circulando e grandes chances de ter uma praia só para você. As paisagens estão verdes, os melhores pontos de mergulho do Mar de Fora, como as Pedras Secas, ganham ótima visibilidade. E a cachoeira de 12 metros de altura na Praia do Sancho pode aparecer após a chuva. Igualmente curioso é descobrir que Fernão de Loronha, financiador da expedição de 1503 e dono da capitania hereditária, nunca esteve na ilha que leva seu nome. Não sabe o que perdeu.
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