O que fazer fora das pistas de esqui

Se cansar de descer ladeiras de neve, saiba que há muitas outras atividades para curtir a estação. Se pernas e quadril dão duro durante o dia, outra musculatura costuma trabalhar bastante em Courchevel, especialmente à noite. Línguas se refestelam com a variedade culinária, que vai da gastronomia regional da Savoia, região onde fica Courchevel, aos toques internacionais dos restaurantes que carregam estrelas do Guia Michelin.

Escrito por: Felipe Mortara5 min de leitura
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Mesas ao ar livre para variar no centrinho de Courchevel Foto: Felipe Moratar/Estadão

Mesas ao ar livre para variar no centrinho de Courchevel

Felipe Moratar/Estadão

Dá para cansar de tudo nessa vida, até de descer lindas montanhas. Depois de alguns dias, é capaz que já se sinta dominando esquis e snowboard como uma extensão do próprio corpo. Se por acaso bater aquele enfado básico de descer as centenas de pistas do complexo de Trois Vallées, não vão faltar alternativas – na neve e fora dela.

Novidade da última temporada, o Aquamotion é um misto de termas e parque aquático e deve continuar atraindo grande público (durante os primeiros meses de funcionamento, foram 75 mil visitantes) às suas piscinas, tobogãs e saunas. Passe um tempo por lá (€ 12 crianças e € 22 adultos por 3 horas; aquamotion-courchevel.com). Todas são aquecidas, claro, mas nas externas, em meio à neve, é que se entende o verdadeiro espírito termal dos Alpes.

Ao custo de € 63 milhões, investidos pela prefeitura de Courchevel, o complexo ocupa um vistoso prédio de arquitetura moderna com vista para o vale. Tanta verba aplicada parece estar rendendo frutos, haja visto que o festejado Nikki (nikkibeachhotels.com), um bar de praia de Miami, inaugurou uma filial no último andar do prédio. Até dezembro de 2017, pretende abrir do outro lado da rua o Nikki Resort, hotel com 150 suítes

Chafurdar
Tudo bem que você esteja a fim de encostar por um dia seus esquis ou snowboard, mas para isso não é preciso deixar de aproveitar a neve. O Courchevel Aventure (a partir de € 32; courchevelaventure.com) é um parque de atividades para curtir a neve de várias formas: escorregando sobre uma boia ou num bote de rafting – há barrancos que se assemelham a corredeiras congeladas. O parque guarda uma coleção de trenós, de tamanhos e épocas variados, para descer (ou rolar) morro abaixo numa pista de 250 metros. Mas a grande estrela é a moto de neve (desde € 45 por 20 minutos).

Bater asas
Mas é do céu que se tem a vista mais deslumbrante da estação. Contemplar os 600 quilômetros de pistas e dezenas de picos nevados na mais importante cordilheira da Europa resume-se a uma das experiências mais belas que já vivi. Está na categoria “sobrevoo caro isento de arrependimento”, junto com as vistas do alto do Rio de Janeiro e das Cataratas do Iguaçu.

O que pode haver de medo passa logo depois da decolagem, quando o piloto começa o tour guiado, apontando para os vales e enchendo os felizardos de informação. Amantes do heliski podem ser transportados até onde teleférico algum se atreve chegar. Empresas como a Air Courchevel (saf-helico.com) e a MBH (mbh.fr) cobram desde € 120 por pessoa por voos panorâmicos a partir de 10 minutos. No cardápio, diferentes circuitos, incluindo contorno no Mont Blanc, a mais emblemática montanha dos Alpes.

O Aquamotion é um misto de termas e parque aquático  Foto: Felipe Mortara/Estadão

O Aquamotion é um misto de termas e parque aquático

Felipe Mortara/Estadão

ESTRELAS E SABORES DA COMIDA LOCAL
Se pernas e quadril dão duro durante o dia, outra musculatura costuma trabalhar bastante em Courchevel, especialmente à noite. Línguas se refestelam com a variedade culinária, que vai da gastronomia regional da Savoia, região onde fica Courchevel, aos toques internacionais dos restaurantes que carregam estrelas do Guia Michelin.

Pai e filho, os chefs René e Maxime Meilleur fazem jus ao nome e comandam a cozinha do La Bouitte (menus a partir de € 140; la-bouitte.com), o único três-estrelas da região e o mais alto (1.500 metros) em toda a França nesta categoria. Os menus privilegiam a criatividade dos cozinheiros, que propõem apenas “surpresas”, após perguntar sobre eventuais restrições alimentares e preferências dos convidados.

Endereço lendário nas montanhas de “Courch” (para os íntimos), o Le 1947 é a principal atração do Hotel Cheval Blanc por conta das mãos (e da fama, é verdade) de Yannick Alléno. O chef se dedica a pratos autorais preparados com perfeição obsessiva (menus harmonizados a partir de € 175; chevalblanc.com).

Outros dois destaques da constelação do sabor em Courchevel merecem a visita, mas por diferentes motivos. Em um ambiente tipicamente alpino, o Chabichou (menus a partir de € 190; chabichou-courchevel.com) leva à mesa uma cozinha clássica, respeitando tradições e colocando o sabor em primeiro lugar de uma maneira aparentemente simples. Mas as aparências enganam.

Já o chef Pierre Gagnaire produz um mundo de combinações inexplicavelmente criativas (e caras, vale dizer) no Les Airelles (menus a partir de € 220; airelles.fr). No menu Jardin Marin constam invenções como sopa aveludada de ostra com tinta de lula e carpaccio de peixe espada com gelatina de alcachofra tostada.

Dentro do badalado Hotel Le K2 (pronuncia-se “lê ká dê”; lek2palace.com), o Le Kintessence tem uma estrela, mas o (injustamente) sem-estrela Le Black Pyramid tem pratos sensacionais por preços mais razoáveis (desde € 25). Um exemplo é o le canard et le cochon, que mescla terrine de pato e foie gras com barriga de porco marinada, atingindo um resultado muito leve para o que é.

Menos glamouroso e mais afeito a uma comida com toque caseiro e com temperos da Savoia, o restaurante do Aman Le Mélezin serve pratos como o ótimo carré de cordeiro de Aveyron, que harmonizou bem com o excelente vinho branco de Chablis Domenic La Roche St. Martin 2014. A burrata no prato do vizinho de mesa tinha aparência magnífica. Para concluir a variedade de sabores à disposição, um mergulho na culinária japonesa no Le Koori, dentro do Hotel L’Apogée (apogeecourchevel.com). Os sushis e o salmão grelhado ao molho de missô deixaram tantas saudades quanto a neve de Courchevel.

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