Os novos caminhos da arquitetura
Ela gosta da frase “pense globalmente, mas aja localmente”. Para a americana Martha Torne, diretora executiva do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura, a antiga visão do arquiteto atuando como um artista não é mais relevante. “Criar edifícios de qualidade só para quem dispõe de recursos não é mais aceitável. Precisamos de uma arquitetura capaz de servir a todos os setores da sociedade”, desafia ela. Como diretora da premiação – instituída em 1979 pela Fundação Hyatt -, cabe a ela deliberar as indicações anuais. “Mas só ao júri cabe a decisão final”, como fez questão de frisar nesta entrevista ao Casa, concedida na semana passada durante evento no Masp, onde proferiu palestra.


Martha Torne, diretora executiva do prêmio Pritzker
Divulgação/newswire.uark.edu
Ela gosta da frase “pense globalmente, mas aja localmente”. Para a americana Martha Torne, diretora executiva do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura, a antiga visão do arquiteto atuando como um artista não é mais relevante. “Criar edifícios de qualidade só para quem dispõe de recursos não é mais aceitável. Precisamos de uma arquitetura capaz de servir a todos os setores da sociedade”, desafia ela. Como diretora da premiação – instituída em 1979 pela Fundação Hyatt -, cabe a ela deliberar as indicações anuais. “Mas só ao júri cabe a decisão final”, como fez questão de frisar nesta entrevista ao Casa, concedida na semana passada durante evento no Masp, onde proferiu palestra.
Como funciona a seleção para o Pritzker?
Recebo e processo as nomeações durante os dois primeiros meses do ano (este ano o vencedor foi o arquiteto japonês Shigeru Ban) Elas chegam de todo o mundo, via carta ou e-mail. Na verdade, qualquer arquiteto licenciado pode me enviar um e-mail, mesmo que eu não o solicite. A mim cabe receber as indicações de pessoas selecionadas – arquitetos, professores, críticos, curadores, antigos laureados. O processo é muito aberto.
Quem compões o júri?
Arquitetos praticantes, críticos, escritores, empresários e até um juiz da Suprema Corte americana. São pessoas muito bem informadas sobre arquitetura. Eles viajam por conta própria para visitar edifícios em todo o mundo, de forma que têm uma compreensão bastante ampla da arquitetura em diferentes regiões geográficas. Os membros tomam parte do júri por três anos, o que significa que há estabilidade, mas, ao mesmo tempo, renovação. O conhecimento é repassado, mas novas informações sempre são trazidas à mesa.
O Brasil teve dois profissionais laureados pela premiação. Como a senhora vê a arquitetura produzida na páis hoje?
Sim, tivemos Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006. Eu não sou uma especialista no assunto, mas sei que ela possui tradição e testemunha o apreço do povo brasileiro por sua arquitetura. Por outro lado, todo esse respeito internacional pode significar uma resistência a novas ideias. Hoje existem muitos jovens arquitetos talentosos atuando no Brasil. Para eles, acredito que o desafio seja respeitar o legado, mas continuar a trilhar novos caminhos. Especialmente aqueles que vão ao encontro das necessidades e exigências da sociedade atual.
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