Reforma dá ar retrô a apartamento
Móveis e acessórios dão ar retrô ao apartamento Zeca Wittner/Estadão Conteúdo Um apartamento de 100 m² construído nos anos 60 no Jardim Europa, em São Paulo, precisava de cara nova para receber uma jovem artista plástica. Mas não seria possível repaginar totalmente o lugar: uma das exigências da nova moradora era que fossem mantidas as […]


Móveis e acessórios dão ar retrô ao apartamento
Zeca Wittner/Estadão Conteúdo
Um apartamento de 100 m² construído nos anos 60 no Jardim Europa, em São Paulo, precisava de cara nova para receber uma jovem artista plástica. Mas não seria possível repaginar totalmente o lugar: uma das exigências da nova moradora era que fossem mantidas as características do imóvel original, que abrigou sua proprietária anterior até ela completar 90 anos.
As mudanças estruturais foram poucas. “Além de trocar as instalações hidráulica e elétrica, quebramos duas paredes que separavam o escritório da sala e do corredor de circulação. Isso deu mais amplitude à área social”, conta Mônica Belfort, pesquisadora de referências e de objetos do Studio Motriz, que assina o projeto. Com essa alteração, o imóvel ficou com apenas um quarto. A parede da cozinha sofreu uma pequena modificação. Um rasgo preenchido com cobogós brancos traz luminosidade, ventilação e um toque retrô, que aparece em acessórios e mobiliário de toda a casa.
O piso de tacos de madeira da sala estava escondido por um revestimento laminado. Depois de raspado e lixado, ele recebeu acabamento com verniz fosco à base de água. “O piso da cozinha, de ladrilho hidráulico também foi recuperado. Assim como os armários, que foram restaurados e ganharam novos puxadores, mas continuaram com a estrutura de fábrica.” O trabalho de recuperação chegou até aos acessórios, como a caixa de campainha, o registro de água e as várias arandelas.
Bagagem
A maioria das peças de decoração foi trazida na bagagem da moradora, que adora garimpar objetos em feiras de antiguidades pelo mundo. Como o tecido com estampa de castor que ela trouxe de Nova York e pendurou na parede como via nos trabalhos escolares, com um gancho simples.
As luminárias da sala de jantar vieram de um passeio por uma feira de objetos usados de São Paulo. “Nosso foco foi preservar a arquitetura dos anos 60 e a decoração tinha de acompanhar isso A moradora já juntava coisas trazidas de viagem que tinham esse estilo. O que não tinha nós garimpamos, sempre buscando coisas que tivessem um ‘ar antigo’”, conta o arquiteto responsável pela obra, Nelson de Moura Júnior.
Poucos móveis são novos. O sofá, com pés de madeira e estrutura de metal, foi feito sob medida para durar muito tempo. A bancada de madeira no escritório e sala de ensaio com teclado, integrado à sala de estar, tem dupla função: além de servir como aparador é também mesa de trabalho. Na estante preta, feita por encomenda, ficam alguns dos objetos mais queridos da moradora, como livros de arte e bonecos vintage. A iluminação com fitas de LED embutidas nas prateleiras valoriza a coleção.
O corredor ficou mais iluminado e passou a interligar os cômodos com mais leveza. O armário embutido de madeira maciça foi mantido para não causar problemas na tubulação que passa por trás do móvel. As passadeiras coloridas e os pequenos quadros com fotos dão o toque bem humorado e até o banheiro ganha destaque. “É como um ponto de luz com seus azulejos verdes originais. Encontramos os toalheiros de louça em um ‘cemitério de azulejos’. As louças e metais tiveram de ser substituídos, mas conseguimos linhas parecidas com as originais”, diz o arquiteto.
No quarto chama a atenção a manta Suzani, dos nos 70, bordada à mão na Ásia Central. A peça, feita de algodão e fios de seda coloridos, foi pendurada na parede atrás da cama de ferro. “O resultado do projeto é a combinação da personalidade da cliente com as referências dos anos 60, época em que o apartamento foi construído”, conta Mônica. Para quem entra na casa, é fácil notar que tudo ali tem história. Da moradora, ou não.
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