Retrato do passado através do caminho do Vale do Café no Rio

Projeto com roteiros pelo interior fluminense faz turista viajar pela história do Brasil Império

Escrito por: Bruna Toni3 min de leitura
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Moldura da Fazenda São João da Prosperidade simula fotografias antigas Foto: Bruna Toni/Estadão

Moldura da Fazenda São João da Prosperidade simula fotografias antigas

Bruna Toni/Estadão

Enfileiradas como bons soldados servindo ao Império, as dezenas de palmeiras de até 40 metros de altura formam um corredor natural entre o portão de entrada e o casarão Silenciosas, acompanham o caminhar de um casal com braços entrelaçados e trajes que os entusiastas de novas tendências dirão ser o que há de melhor no estilo retrô. Ao chegarem até nós, apresentam-se: “Somos o Visconde e a Viscondessa de Rio Preto, sejam bem-vindos à nossa casa, a Fazenda do Paraízo”.

É dessa forma que começa a viagem no tempo, ou melhor, o nosso roteiro pelo circuito histórico do Vale do Café, região do interior do Rio de Janeiro que ganhou projeção nacional durante o auge da produção cafeeira no Brasil, no século 19.

Dois séculos à frente do que viveu o casal de viscondes e numa área há muito sem café, a cena da nossa recepção é interpretada, na verdade, pelo historiador e guia turístico Adriano Novaes e pela gestora de turismo e guia Samantta de Souza. Vestidos a caráter e com linguajar de época afiado, os dois fazem parte de um grupo que realiza as tradicionais visitas teatralizadas em algumas fazendas da região.

Incentivados pelo projeto do Sebrae para promover o turismo com foco no período imperial batizado de Tour da Experiência, 18 estabelecimentos das cidades de Rio das Pedras, Valença, Vassouras, Barra do Piraí e Piraí criaram produtos que buscam resgatar a história do País entre 1822 e 1889.

Como resultado, atrações diversas que exigem no mínimo um fim de semana para serem curtidas com calma – a distância de São Paulo até Piraí, município mais próximo da capital paulista, é de 338 quilômetros. Ir de uma cidade a outra significa percorrer, em média, apenas dez quilômetros a mais.

O que se encontrará pelo caminho vale por um bom número de aulas de História, desde a preservação da memória material traduzida por objetos e construções de 200 anos atrás até a releitura de nossa gastronomia. Comer (muito) bem, aliás, é regra por lá e qualquer passeio terminará com ao menos um cafezinho.

Assim como os guias, os proprietários das fazendas muitas vezes se vestem como barões e baronesas para receberem seus visitantes Acompanhados quase sempre por mulheres negras que ocupam papéis de serviçais sem voz, a situação gera incômodo. Consequência, talvez, da linha tênue que há entre a representação teatral de uma época e a reprodução de preconceitos enraizados na sociedade

Sentindo-se como uma sinhazinha garbosa, negra alforriada, visconde ou líder quilombola, fato é que a passagem pelo Vale do Café te fará viajar para muito além das estradas terrestres.

Saiba mais
Como chegar: de carro, melhor forma de circular no Vale, chega-se mais rápido pela BR-116, partindo de SP – são cerca de 4 horas. Do Rio, leva-se 2 horas

Onde ficar: cerca de 30 fazendas estão abertas à visitação e algumas recebem hóspedes. Rio das Pedras: Fazenda União (2 diárias o casal, com refeições, R$ 1.160). Vassouras: Mara Palace (R$ 209 por pessoa); Santa Amália (R$ 502 o casal, com refeições); Cachoeira Grande (R$ 400, com café). Barra do Piraí: Ponte Alta (R$ 305 por pessoa); Pousada Brisa do Vale (R$ 275, casal). Valença: Vista Alegre (R$ 300 o casal, com café); Fazenda Florença (2 diárias o casal, com refeições, R$ 1.158). Piraí: Casa do Manequinho (R$ 190). Preços mínimos

Site: portalvaledocafe.com.br 

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