Revista sul-americana de fotografia foi criada por moradora de São José
Quando aconteceu a tragédia com o presidenciável Eduardo Campos e soube que, entre outros seis passageiros que estavam no avião que caiu em Santos, estava o fotógrafo Alexandre Severo.


Foto da série “Tiempo de Limosinas” publicada na revista Sueño de La Razón
Divulgação/MyriamMeloni
Quando aconteceu a tragédia com o presidenciável Eduardo Campos, milhares de pessoas compartilhavam as fotos de Alexandre Severo, fotógrafo que estava no avião que caiu em Santos no último mês.
Entre os trabalhos mais destacados do pernambucano estão “À Flor da Pele”, sobre a vida de três crianças albinas filhas de uma família negra. E “Sertanejos”, um trabalho sobre o sertão nordestino com um olhar contemporâneo.
O que poucos sabem é que “Sertanejos” teve a sua primeira publicação na revista de fotografia sul-americana Sueño de La Razón, que tem como uma das criadoras a paulistana Roxana Moyano, que fez carreira como gestora cultural na Bolívia e é radicada em São José dos Campos. Em meados de agosto, a revista semestral publicou sua quinta edição.
“Essa é uma revista que pretende mostrar a produção fotógrafica atual da América do Sul. Temos diretores de nove países e cada um deles deve escolher o melhor trabalho de seu país no semestre”, afirma Roxana, que também é gerente do Café Del Tiempo, em São José dos Campos.
Participam do conselho editorial da revista fotógrafos do Paraguai, Equador, Venezuela, Chile, Peru, Argentina, Colômbia e Uruguai. Como trabalhou num centro cultural boliviano -o Centro Cultural Simón I. Patiño, de Santa Cruz de La Sierra-, Roxana cuida do conteúdo boliviano. A Cia. de Foto faz a curadoria da produção brasileira.
Independência
A revista é temática. Já abordaram festas regionais, conflitos sociais e a edição atual reúne ensaios sobre viagem. Pode-se ler crônicas e ver séries fotográficas sobre a vida de imigrantes chilenos e peruanos; a moda das festas em limusines de Buenos Aires; a Amazônia boliviana e equatoriana sob um viés poético; os milionários das Ilhas Caimã, ao sul de Cuba; Moscouzinho, uma reinvenção do fotógrafo brasileiro Diógenes Moura sobre a região do Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. Esses e outros ensaios estão dispostos em 136 páginas de revista.
A curadoria dessa edição foi discutida no ano passado no Sesc São José dos Campos, quando todos os membros do comitê editorial da revista se reuniram para realizar encontros e uma mostra dos trabalhos então publicados.
“Apesar de termos muitas diferenças, é curioso como nós latino-americanos temos muitas coisas parecidas. E usamos a linguagem fotográfica para mostrar essa nossa realidade”, conta Roxana. A coexistência entre os idiomas usados na publicação (português e as diferenças regionais do espanhol) é democrática -cada país se expressa com sua própria escrita. “E a linguagem fotográfica é universal”, complementa a diretora.
Já financiada na Bolívia e no Chile, a Sueño de La Razón é gerida de forma independente. A verba angariada a cada semestre vai somente para a impressão e nunca para os colaboradores.
“Uma das razões da revista apresentar sempre materiais inéditos e que consiga séries com algum protagonismo vem por ela ter se mantido independente em todos esses anos”.
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