Transtorno bipolar: transtorno mental que mais causa suicídios

Cercado de muito preconceito, o transtorno bipolar é um dos problemas psíquicos mais difíceis de serem diagnosticados. Para conviver com ele, a informação é a chave para derrubar as barreiras.

Escrito por: Gilmar Torquato3 min de leitura
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A bipolaridade é uma doença grave: entenda os sintomas e tratamento

Reprodução/Vida Fit

Cercado de muito preconceito, o transtorno bipolar é um dos problemas psíquicos mais difíceis de serem diagnosticados.

A principal característica do transtorno bipolar (TB), em outros tempos chamados de psicose maníaco-depressiva, é a alternância de episódios e estados de euforia e depressão, com intensidade e frequência variável. Ou seja, a pessoa pode estar extremamente eufórica e disposta a tudo em um dia ou período e a seguir mostrar-se depressiva, melancólica. A presença de sintomas psicóticos (perda da noção de realidade, com ou sem alucinações) pode ser um indicativo da gravidade do problema. O transtorno bipolar é uma doença crônica, ou seja, pode ser apenas controlado, não tem uma cura total.

Mas é preciso tomar cuidado para não confundir alterações normais de humor, algo bastante comum, com TB. Não há nada de anormal em pessoas que demonstram suas emoções de forma intensa, sejam elas positivas ou negativas. “Todos nós temos oscilações de humor, a diferença entre as pessoas que possuem o transtorno bipolar é que esses quadros são mais extremos e duradouros do que aquelas mudanças vividas pelas demais pessoas”, destaca o psicólogo Yuri Busin.

Os principais e mais facilmente identificáveis sintomas do humor depressivos (seja em quem é bipolar ou não) são: angústia, desânimo, tristeza, sentimento de vazio e negatividade. Mas nem sempre quem tem TB manifesta tais sintomas quando passa por um episódio depressivo. Dependendo de vários fatores, como personalidade e ambiente, a depressão pode ser somatizada em cefaleias, dores de estômago, tonturas, falta de apetite, extrema sonolência ou insônia, etc.

Quando essas alterações de humor passarem a ser notáveis, deve-se desconfiar de TB. “Se os sintomas permanecerem pelo menos por uma semana e forem de um extremo a outro com grande intensidade e durabilidade deve-se procurar um profissional qualificado”, aconselha o psicólogo.

A bipolaridade é a doença mental que mais mata por suicídio: cerca de 15% dos doentes se matam. Os pacientes têm um risco 28 vezes maior de apresentar comportamento suicida do que o resto da população e até metade dos doentes tenta se matar, mostram levantamentos. ”A expectativa de vida de homens bipolares é 13 anos menor e de mulheres bipolares é 12 anos menor do que a da população em geral, segundo um estudo dinamarquês. A expectativa de vida do bipolar é comparável à do esquizofrênico”, diz o psiquiatra Fábio Gomes de Matos e Souza, professor e também pesquisador da Universidade Federal do Ceará.

Considerando a gravidade, os médicos todos criticam a popularização do termo. ”É banalizar a doença. Estar triste é uma coisa, estar deprimido e não conseguir sair de casa é outra”, diz a psiquiatra Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar. De acordo com as últimas descobertas científicas, as crises de euforia e depressão são tóxicas ao cérebro.

Em geral, o tratamento começa com medicamentos. O ideal é consultar um psicólogo e um psiquiatra para decidir qual o mais adequado para o caso.

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