Turismo em Minas Gerais, uai!
O Arraial de Catas Altas do Mato Dentro cresceu em torno da capela de Nossa Senhora da Conceição, no começo do século 18. Hoje matriz, a imponente igreja predomina no centro da cidadezinha, porém tem companhias de respeito. A igreja de Santa Quitéria está no pictograma do carimbo da cidade, por seu cenário deslumbrante com a Serra do Caraça ao fundo. Por sinal, fica em Catas Altas o mais surpreendente refúgio natural de Minas Gerais, o Santuário do Caraça.


Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas, com esculturas de pedra sabão do Aleijadinho
Divulgação/Tanaka/Estrada Real)
Catas Altas
O Arraial de Catas Altas do Mato Dentro cresceu em torno da capela de Nossa Senhora da Conceição, no começo do século 18. Hoje matriz, a imponente igreja predomina no centro da cidadezinha, porém tem companhias de respeito. A igreja de Santa Quitéria está no pictograma do carimbo da cidade, por seu cenário deslumbrante com a Serra do Caraça ao fundo. Por sinal, fica em Catas Altas o mais surpreendente refúgio natural de Minas Gerais, o Santuário do Caraça.
A cidade também é reconhecida pelos seu vinho de jabuticaba e, mais recentemente, por suas cervejas artesanais. Peça para degustá-las no restaurante La Violla, na Praça Monsenhor Mendes, saboreando um filé à brasileira (R$ 62) ou um lombo mineiro (R$ 52).
Santo Antônio do Norte
Fundado no século 18 por aventureiros que procuravam ouro no Rio Santo Antônio, o pequenino arraial – e bota pequenino nisso – de Tapera chamou a atenção do viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, em 1817. “Uma só rua, à extremidade da qual fica a igreja que constitui a aldeia.” Desde então, aparentemente pouca coisa mudou, a não ser o nome, que passou para Santo Antônio do Norte – mas todo mundo, menos os mapas, só conhece por Tapera.
A igreja de Santo Antônio, assim como a maior parte das simples casinhas, foi construída de adobe e taipa, no século 18. Já a singela capela Sant’Ana fica sobre um morro, mesclando-se à paisagem do povoado, que é uma boa parada para um almoço ou lanche da tarde. Pergunte pelo Curral de Pedras, que além da beleza, vale por seu valor artístico e histórico. Já o Mirante da Escadinha é um dos mais belos da Estrada Real.
Ouro Preto
Aqui convergem os três principais caminhos que compõem a Estrada Real: o Novo, o Velho e o dos Diamantes. E a antiga Vila Rica tem até hoje motivos de sobra para se orgulhar de ter sido o mais importante centro econômico e político do Ciclo do Ouro. As primeiras levas de garimpeiros chegaram à região por volta de 1695, atrás das pequenas pedras que, desde 1823, passaram a batizar a cidade. Apenas em 1897 perdeu o título de capital mineira para Belo Horizonte. Hoje, Ouro Preto é um dos mais fortes símbolos do Brasil colonial e cidade turística mais pulsante de Minas Gerais (mais informações na página 12).
Por onde quer que se ande, exibe jovialidade e informalidade universitária, reforçada por uma vigorosa cena musical e portentoso carnaval de rua. Cabe menção a ótima gastronomia da cidade, um capítulo à parte. No entanto, prevalece a força de seu passado, estampado nas dezenas de bem preservadas e icônicas igrejas do período barroco brasileiro, que se espalham por suas ladeiras e bem cuidados museus, como o da Inconfidência e a intrigante Casa dos Contos.
Itambé do Mato Dentro
Em tupi, “itambé” significa “pedra afiada” – uma alusão aos picos pontiagudos da Serra do Espinhaço, que povoam a paisagem da cidadezinha. A queda de 30 metros da Cachoeira Baixada das Crioulas esconde uma grande gruta onde, dizem, os senhores se encontravam com suas escravas. As três quedas da Cachoeira da Serenata só não surpreendem mais do que o cânion de 40 metros de largura e 70 de comprimento, por onde as águas do rio ganham força.
A Cachoeira do Chiquinho, de cor esverdeada, também atrai visitantes. Uma boa base para desbravar a região é o distrito de Cabeça de Boi, com pousadinhas aconchegantes como a Lá no Tereré (31-9591- 4878; diárias desde R$ 80). No simpático Buteco do Sô Agostinho, o dono em pessoa costuma pegar um violão e receber os novos visitantes com cantoria.
Poema
Outrora chamada de Estalagem, Pouso Alegre, Aliança e Santo Afonso da Aliança, é hoje mais conhecida por Ipoema. Esse distrito de Itabira, a famosa terra do poeta Carlos Drummond de Andrade, carrega no nome os versos e festeja sua história com seu precioso Museu do Tropeiro (31-3833-9254). Bem estruturado, o acervo de 400 peças narra a importância histórica e cultural do tropeirismo, que durante séculos ligou arraiais levando alimentos e bens de primeira necessidade.
Também faziam as vezes de mensageiros, carregando correspondências entre vilas e cidades. Suas tradições renderam hábitos enraizados até hoje na gastronomia mineira, como o (delicioso) feijão tropeiro. Antes de sair, não deixe de provar a boa cachaça à venda na lojinha.
Morro de Pilar
O bandeirante Gaspar Soares começou a explorar ouro por ali em 1710, mas foi apenas em 1740 que a cidade passou a se chamar Morro do Pilar. Ali foi instalada a primeira fundição de ferro do Brasil a utilizar alto-forno, no começo do século 19. A Igreja do Canga ainda mantém características da época. Contudo, a cidade é uma das portas de entrada para o Parque Nacional da Serra do Cipó, inaugurado em 1984 e muito procurado por amantes do ecoturismo e de trekking.
Seus 33.800 hectares se espalham também pelos municípios de Santana do Riacho e Itambé do Mato Dentro. Trilhas margeiam cânions e cachoeiras como a da Capivara, com duas quedas, uma de 40 e outra de 60 metros, além de piscinas naturais. Os mais aventureiros podem arriscar um rapel ou canyoning nos 70 metros da Cacheira Véu da Noiva (Receptivo Belas Gerais, serradocipogeraes.com.br). Os percursos, de até 12 quilômetros, podem ser feitos a pé, de bicicleta ou a cavalo. A vegetação chama a atenção pela diversidade e a fauna se caracteriza por espécies endêmicas, em particular alguns anfíbios e insetos.
Milho Verde
Ô lugarzin gostoso, sô. No século 18 sediou um registro, espécie de alfândega onde se controlava o trânsito de pessoas – e de pedras – que passavam pela Estrada Real. Lá foram instalados quartel e posto fiscal com a função do combater o contrabando. Hoje bem mais pacato, o vilarejo no alto de uma linda colina chama atenção pela pitoresca Capela de Nossa Senhora do Rosário, que parece plantada num amplo descampado.
O Café Veredas (38-8845-0067) vale uma parada por seu pastel integral de legumes (R$ 4). Além do seu carimbo, garanta um mergulho na cachoeira do Moinho, a dois quilômetros do centrinho, com piscinas naturais e duas grandes quedas, além dos antigos moinhos d’ água que ainda funcionam – e dão nome ao lugar. Nos arredores, vale dar um pulo até o vilarejo de Capivari, onde chama a atenção o grau de parentesco direto que todos os 300 moradores possuem – são apenas quatro os sobrenomes Dali sai a trilha de 13 quilômetros (5 horas) rumo ao Pico do Itambé, a 2.002 metros de altitude, e à Cachoeira do Tempo Perdido.
Cocais
No entorno da Capela de Santana cresceu o vilarejo onde, tempos mais tarde, nasceria José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o Barão de Cocais, governador das Minas Gerais no século 19 e fundador de município de mesmo nome, do qual faz parte o distrito de Cocais. A igreja de Nossa Senhora do Rosário foi erguida originalmente no século 18, porém, o prédio atual é resultado de uma reconstrução realizada no século seguinte. Guarda imagens de dois santos negros: São Benedito e Santa Efigênia.
O Solar da Ladeira, construído no mesmo período, hospedou Duque de Caxias em 1842. Bem pertinho, o Sobrado do Cartório é um dos mais belos e antigos edifícios do distrito, erguido pelo próspero comerciante Fernando Toco. Já o Sitio Arqueológico da Pedra Pintada faz jus ao nome, com centenas de pinturas rupestres com mais de 8 mil anos. Para garantir um almoço bem mineiro – e o carimbo no passaporte – o feijão tropeiro com carne de porco na lata da Pousada Vila Cocais é a pedida (R$ 49 para dois; pousadavilacocais.com.br).
Serro
Perto das outras cidades da região, Serro parece uma metrópole, com um centrinho onde carros disputam poucas vagas na Praça João Pinheiro. Ali começa a escadaria de 58 largos degraus que leva os mais esforçados até a capela de Santa Rita, de onde se tem uma senhora vista. No primeiro fim de semana de julho ocorre tradicionalmente a Festa do Rosário, com manifestações culturais e de sincretismo religioso, como marujada, catopês e caboclos.
No entanto, a fama da cidade veio de seu queijo homônimo, fabricado há mais de 200 anos – muitos atribuem seu sabor distinto ao clima. A cooperativa de produtores CooperSerro (38-3541-1001) tem uma boa lojinha no centro para vender os mais de 2 mil queijos produzidos diariamente. E a Secretaria de Turismo, ponto de carimbo, fica numa casa restaurada na rua principal, próxima ao Sobrado da Prefeitura, construído no fim do século 19 para hospedar d. Pedro II, que visitaria a cidade. No entanto, com a proclamação da República, isso nunca ocorreu.
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