Um mergulho nos cenários dos filmes de Hitchcock
Uma dobradinha famosa, Daphne du Maurier e Alfred Hitchcock O cineasta, que de bobo não tinha nada, percebeu logo o filão de ouro dos livros de du Maurier e os transformou em blockbusters.


Cena do filme “Psicose” de Alfred Hitchcock
Divulgação
Uma dobradinha famosa, Daphne du Maurier e Alfred Hitchcock. O cineasta, que de bobo não tinha nada, percebeu logo o filão de ouro dos livros de du Maurier e os transformou em blockbusters.
De onde vem tanta inspiração? Para descobrir, chegamos à vila pesqueira de Fowey, a 70 quilômetros de St. Ives. Aqui, desde a infância até sua morte, viveu du Maurier. Uma escritora que não carregava tinta no fantástico, mas no suspense. Não por acaso, Hitchcock (1899-1980) bebeu muito de sua fonte. Falava de du Maurier como uma escritora que, nas primeiras páginas de seus livros, criava a emoção e, nas demais, a preservava. Algo que conseguiu transportar para seus filmes.
De um lado, cenas verossímeis construídas pela natureza e por seus moradores. De outro, cenas retratadas por uma testemunha que criou sua versão da realidade. Dos muitos livros escritos por du Maurier, três foram adaptados por Hitchcock. Em Jamaica Inn (que no Brasil ganhou o título de Estalagem Maldita), a escritora baseou sua história, de piratas e contrabandistas, em uma estalagem de mesmo nome do século 18. O local é hoje um pub e pousada (jamaicainn.co.uk) e fica a 20 minutos de carro do centro da vila.
Mas foi com Rebecca, um romance gótico extemporâneo filmado no interior de uma mansão – Manderley – que o cineasta britânico ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1940. A casa famosa (no livro, chamada de Solar Meneabilly) localiza-se a poucos quilômetros da vila, mas hoje só pode ser vislumbrada através de cercas fechadas por arbustos. No filme, a propriedade também ficava escondida, sempre envolta por densa névoa.
O fascínio que o local exerceu sobre du Maurier extrapolou o desejo de usá-la para ambientar a história de uma recém-casada atormentada pela governanta: a escritora gostou tanto da mansão que foi sua inquilina durante muito tempo.
Se as construções inspiraram du Maurier na trama desses dois livros, a beleza natural de Fowey seria cenário e testemunha de outra história. Basta caminhar pela orla pesqueira e contemplar a algaravia dos corvos e das gaivotas com seus voos rasantes para se ter certeza de que ali, exatamente, brotou a inspiração do conto Os Pássaros. Também imortalizado no cinema por Alfred Hitchcock, quem assiste ao filme nunca mais consegue olhar como antes para uma fileira de pássaros pousados nos fios, entre os postes de luz.
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