União europeia no prato em Andorra

Era uma mesa multinacional aquela. No restaurante Molí dels Fanals, a pessoa à minha esquerda comia cordeiro na brasa, enquanto a da direita pedira magret de pato.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Entrada de queijo de cabra e nozes do restaurante Molí dels Fanals

Mônica Nobrega/Estadão

SISPONY – Era uma mesa multinacional aquela. No restaurante Molí dels Fanals, a pessoa à minha esquerda comia cordeiro na brasa, enquanto a da direita pedira magret de pato. Meu prato tinha bacalhau com mel, pinole e cebola confitada; lá na ponta, alguém era apresentado ao trinxat, um bolo de batatas com porco. Uma porção inesquecível de alcachofras em prancha de ferro ocupava o centro da mesa. E tudo isso depois de um farto couvert geral com jamón ibérico e pan tumaca, o pão com tomate tradicional das entradinhas catalãs.

Este tipo de abundância com sotaque misto entre França, Espanha e a própria cozinha de montanha local define o jeito de comer em Andorra. Por lá, chamam bordas aos restaurantes tradicionais, que ficam em antigos celeiros ou estábulos, onde se cozinha sem frescura e com fartura. O Molí dels Fanals é uma borda no povoado de Sispony, um desses que se distribuem no plano vertical de uma montanha, a 10 minutos de Andorra la Vella. A refeição para dois, sem bebidas, custa cerca de 100; molidelsfanals.com.

MENU-DEGUSTAÇÃO
Com conceito diverso – sai a comida caseira, entram as minúcias do menu-degustação assinado – o Vodka Bar ofereceu outra experiência gastronômica memorável. O chalé de pedras e madeira para até 30 pessoas fica no resort de neve Grandvalira, no setor Grau Roig (leia mais na página 10). A ele se chega de trenó, esqui ou raquetes de caminhada, acessórios que são trocados por pantufas coloridas oferecidas na entrada. Funciona das 13 às 17 horas para almoço e, no jantar, com reserva.

Depois de alguns clichês do estilo – ingredientes frescos, locais, orgânicos, menu sazonal – e de ligeira explicação sobre uma tal “comida ecológica”, o chef Ismael Prados, que já apresentou programa na TV espanhola, mostrou que não estava para brincadeiras na sequência de entradas. Veio ostra com vodca; salmão defumado; e foie gras com pedacinhos de pato e marmelo assado, que continuei beliscando com pão da casa torradinho até depois de me tirarem a sobremesa da frente.

Entre uns e outros pratos, o cozido de feijões brancos com pedaços de bacalhau e mollejas foi regado com manteiga líquida; a carne de perna de vitela veio desmanchando; a sequência de queijos teve três variedades locais, feitas de leites de cabra e ovelha; e a sobremesa apresentou mais um ingrediente nativo, o Nectum, um xarope de pinhas despejado sobre o doce de peras – que, aliás, é vendido na cidade e é boa opção de presente.

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