Vinho torrontés se destaca pela textura macia

Quem deu início ao cultivo de uvas nos Vales Calchaquíes, região de mais de 500 quilômetros de extensão nas províncias de Salta, Tucumán e Catamarca, foram os jesuítas. Eles trouxeram as primeiras mudas, por volta de 1580, e logo começaram a produzir vinho para consumo próprio.

Escrito por: Rodrigo Burgarelli3 min de leitura
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Rota do Vinho na Provincia de Salta

Jesuítas trouxeram primeiras mudas para produzir vinho

Divulgação

Quem deu início ao cultivo de uvas nos Vales Calchaquíes, região de mais de 500 quilômetros de extensão nas províncias de Salta, Tucumán e Catamarca, na Argentina, foram os jesuítas. Eles trouxeram as primeiras mudas, por volta de 1580, e logo começaram a produzir vinho para consumo próprio.

A imigração europeia, acentuada ao longo do século 19, reforçou o hábito e trouxe outras variedades de uvas à região. A malbec veio com a cabernet sauvignon e se mostrou mais adaptável. Mas a grande vitoriosa foi a torrontés, variedade branca que se desenvolveu por ali mesmo, resultado da mescla de cepas europeias como a moscatel com uvas criollas, locais.

Hoje, a região de Salta é conhecida no mundo pela produção do vinho torrontés, que se destaca pela textura macia, acidez moderada e sabor bastante concentrado. A explicação para o seu sucesso é justamente a altitude: os vinhedos chegam a ser cultivados a até 2,7 mil metros acima do nível do mar.

A combinação de menor pressão atmosférica e raios solares mais fortes faz com que a folha da videira elimine água, concentrando elementos que dão sabor à uva. Além disso, o tempo seco – costuma-se dizer que, por ali, são 350 dias de sol por ano – diminui a chance de pragas ou fungos nas plantações.

Um dos produtores é Mário Peña, da Bodega Peña Veyrat Durbex (labodegadecafayate.com), que também tem um hotel para receber hóspedes e restaurante para quem quiser almoçar e provar seus vinhos.

Além da variedade regular, Peña também faz o torrontés tardio, mais doce, recomendado para sobremesa. No local, cada garrafa custa cerca de R$ 20. “A cada dia aparece uma bodega diferente, com um novo vinho. Nós mesmos começamos em 2006 e já vendemos 30 mil litros por ano. A procura pelo vinho de Salta só aumenta”, diz.

General Guemes
Em 1609, o general espanhol Martín Miguel de Güemes quis construir uma casa para sua irmã mais nova. É desse ano que data o título de posse de um enorme terreno no departamento que leva seu nome, General Güemes, a 50 quilômetros de Salta. A casa tem estilo colonial, portas centenárias, pátio interno e uma torre para se proteger de ataques indígenas. Hoje, ainda nas mãos da mesma família, virou pousada.

“Isso começou na década de 1970, quando meus sogros começaram a receber amigos de parentes como hóspedes”, conta uma das donas da Estância El Bordo de Las Lanzas (estanciaelbordo.com), Magdalena Figueroa de Arias. O lugar respira história: artefatos pré-colombianos encontrados ali são expostos na entrada, e a biblioteca tem livros jesuítas do século 18. Tampouco faltam opções de lazer – Magdalena pode marcar tours pelos pampas com gaúchos autênticos, um jantar romântico, passeios pelas quebradas… A diária custa cerca de US$ 200 o casal, com refeições.

Saiba mais

Aéreo: São Paulo – Salta – São Paulo: desde R$ 1.158,02 na Aerolineas (aerolineas.com.ar) e R$ 1 318,13 na LAN (lan.com). Voos com conexão;

Trem: o Tren a Las Nubes parte de Salta e percorre 434 quilômetros (ida e volta) até o Viaduto La Polvorilla, a 4.220 metros de altitude. Desde 950 pesos (R$ 282). trenalasnubes.com ar;

Moeda: R$ 1 equivale a 3,35 pesos argentinos (ARS). Atenção ao fazer seu câmbio ou na troca de notas altas: casos de dinheiro falso são comuns em Buenos Aires;

Melhor época: os meses de janeiro e fevereiro costumam ser mais chuvosos; no resto do ano, a temperatura média fica em torno de 15 graus.

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