Após assalto, paratleta dá volta por cima através do esporte
Colecionador de medalhas, esportista está com futuro indefinido devido à falta de patrocínios


Eduardo Castilho treina três vezes por semana com a handbike em Tremembé
Jonas Barbetta/Top 10 Comunicação
No dia nove, do mês nove, de 1999, a vida de Eduardo Castilho mudou para sempre. A caminho do trabalho, sofreu um assalto na avenida Nove de Julho em São Paulo e, mesmo sem reagir, foi baleado duas vezes pelo bandido.
“No momento do crime, apareceu uma viatura da Polícia Militar na avenida. Como o assaltante viu ela se aproximar, atirou em mim para conseguir fugir enquanto a PM prestava socorro”, lembrou Eduardo.
Um dos tiros atingiu a perna e o outro lesionou a coluna. De imediato, Eduardo foi colocado na viatura da PM e encaminhado ao Hospital do Servidor Público, na capital paulista.
“Quando levei os tiros já tive a consciência que iria ficar paraplégico. No hospital, o médico chegou a falar para a minha mãe que eu teria poucas horas de vida. Uma das balas chegou a perfurar o pulmão e coração. Fiquei internado na UTI e consegui sobreviver”, explicou.
Durante quase um ano e meio, Eduardo retornou diversas vezes ao hospital devido a problemas respiratórios e de infecção. Também precisou superar a depressão e aceitar o desafio de ter que utilizar cadeira de rodas. Com o apoio da família, intensas sessões de fisioterapia e o envolvimento no esporte, o paratleta mudou o rumo da vida e começou uma nova carreira.
“Ganhei mais força e estabilidade e ainda recuperei certos movimentos. Sem essas coisas hoje eu não seria nada. Fica aí um conselho para quem tem alguma deficiência: o esporte é essencial”, disse o medalhista.
Hoje, aos 38 anos, Eduardo faz parte da Equipe Esporte para Todos, de Taubaté. Após praticar basquete sobre rodas, arremesso de peso, disco e dardo, se tornou especialista na handbike – bicicleta adaptada. Após vender rifas, adquiriu no ano passado o primeiro equipamento que pesa cerca de 35 quilos. Mesmo não sendo o ideal para competição, garantiu vários pódios em 2013.
“Meu sonho é comprar uma nova bike que pesa apenas nove quilos, porém a falta de patrocínio virou um impasse na minha carreira e não sei até quando terei condições de arcar com esses custos. Meu sonho é disputar a Paralimpíada em 2016, mas não sei se será possível”, lamentou o esportista, que este ano planeja pelo menos participar de cinco torneios.
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