Após perda da Euro em 2016, França muda e se renova para chegar à final da Copa
A sofrida derrota por 1 a 0 para Portugal na final da Eurocopa em 2016 provocou uma renovação na seleção da França. Sem Cristiano Ronaldo, que assistiu à vitória do banco, os portugueses contaram na prorrogação com o chute preciso de Éder, herói pouco provável do titulo do torneio disputado em solo francês, para fazer, indiretamente, com que a…

A sofrida derrota por 1 a 0 para Portugal na final da Eurocopa em 2016 provocou uma renovação na seleção da França. Sem Cristiano Ronaldo, que assistiu à vitória do banco, os portugueses contaram na prorrogação com o chute preciso de Éder, herói pouco provável do titulo do torneio disputado em solo francês, para fazer, indiretamente, com que a seleção treinada por Didier Deschamps passasse por uma mudança de jogadores e também de comportamento.
Dos 23 convocados de Deschamps, apenas nove atletas que viveram o “trauma” de perder a Euro em casa para os portugueses vieram à Rússia e compõem uma geração talentosa que foi capaz de chegar à final da Copa. Assim, o treinador se permitiu fazer uma reciclagem e levou para este Mundial a segunda seleção mais jovem do torneio, atrás apenas da Nigéria.
Os goleiros Lloris e Mandanda, os zagueiros Umtiti e Rami, os meias Kanté, Pogba e Matuidi e os atacantes Griezmann e Giroud permaneceram no grupo. Em relação ao time titular, cinco peças que jogaram a final da competição europeia há dois anos não estão mais na equipe.
O setor defensivo foi o mais alterado na atual equipe titular. Os veteranos laterais Sagna e Evra foram substituídos pelos jovens Pavard e Hernandez, enquanto que o zagueiro Varane ocupou a vaga que era de Koscielny. No meio e ataque, Sissoko e Payet (vetado da Copa por lesão) perderam os lugares para Kanté e Mbappé. Outros atletas como Cabaye, Gignac e Schneiderlin perderam espaço para os jovens Tolisso, Dembelé e Thauvin, que são reservas do grupo atual.
Todos os jogadores que assumiram a titularidade viraram destaque na Rússia e foram essenciais para a trajetória até a final. Pavard, que estreou na França apenas em novembro do ano passado, e Hernandez, que vestiu a camisa francesa pela primeira vez em março deste ano, dois meses antes do anúncio da lista final de Deschamps para a Copa, fazem a diferença nas laterais.
O primeiro marcou um dos gols mais bonitos deste Mundial ao acertar um chute no ângulo na vitória por 4 a 3 que eliminou a Argentina nas oitavas de final. O segundo atua pelo Atlético de Madrid tem dupla nacionalidade e chegou a ser cotado para defender a seleção da Espanha.
Consolidado na defesa do Real Madrid há algumas temporadas, Varane se destaca na zaga francesa ao lado do parceiro Umtiti. O jogador de 25 anos, que esteve na Copa do Brasil, em 2014, é hoje mais experiente e virou um dos líderes do time. Ele chama a atenção pela tranquilidade em campo e facilidade para sair jogando.
Nenhum deles, porém, tem jogado mais que Kanté e Mbappé. O primeiro, sem tanta fama e badalação que cercam os grandes craques, é o fôlego do meio-campo, o motorzinho do time de Deschamps. Sem o frisson que ronda Pogba, por exemplo, o volante de 27 anos está em todo os lugares do campo – já percorreu 63 quilômetros no torneio – e é o jogador que mais recuperou bolas nesta Copa. Eleito duas vezes o melhor jogador do Campeonato Inglês, Kanté deu a consistência que o meio-campo francês precisava.
Na frente, o mundo se encanta com o talento, velocidade e poder de finalização de Mbappé. O jovem de 19 anos, que já foi comparado a Henry e Ronaldo, ignora a pouca idade para brilhar e se tornar um dos grandes nomes deste Mundial. A depender do resultado da grande final, o craque francês, autor de três gols na Rússia, tem grandes chances de ser o melhor jogador da competição.
SEM SALTO ALTO – A frustração há dois anos que promoveu mudanças significativas na seleção francesa foi debatida com exaustão nas entrevistas coletivas da França durante o Mundial. Os franceses admitiram até um certo salto alto diante dos portugueses.
“Claro que tivemos a euforia depois de vencer a Alemanha em 2016, mas agora depois da Bélgica foi totalmente diferente. Sabemos o que passamos para chegar até esse ponto. Não acho que vai acontecer de novo amanhã”, prometeu o capitão Lloris.
Pogba corroborou o discurso do companheiro. “Vamos estar muito mais concentrados do que dois anos atrás. Sabemos o que é sentir o gosto amargo da derrota”, afirmou o meia.
Já Deschamps quer se vingar da sentida derrota. “Ainda não digeri a perda da final da Eurocopa”, disse o técnico após a vitória sobre a Bélgica na semifinal. O francês tem a oportunidade entrar para o seleto grupo que venceu a Copa como jogador e treinador. Apenas o alemão Franz Beckenbauer e Mário Jorge Zagallo ostentam essa marca.
Os jogadores experientes e os jovens que compõem a brilhante geração francesa têm a chance de conquistar o segundo título mundial neste domingo. A grande final contra a Croácia será às 12 horas (de Brasília), no estádio Luzhinki, em Moscou.
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