‘Assassino americano’ não é tão ruim quanto parece
Agora que todo mundo já bateu em Assassino – O Primeiro Alvo, dizendo que o filme de Michael Cuesta entrega mais do mesmo, talvez seja interessante prestar alguma atenção às aventuras desse assassino americano (título original). Começa no paraíso. Dylan OBrien e a namorada num resort luxuoso. “Meu bem, vou ali buscar um drink.” Ele vai e bastam…


Agora que todo mundo já bateu em Assassino – O Primeiro Alvo, dizendo que o filme de Michael Cuesta entrega mais do mesmo, talvez seja interessante prestar alguma atenção às aventuras desse assassino americano (título original). Começa no paraíso. Dylan OBrien e a namorada num resort luxuoso. “Meu bem, vou ali buscar um drink.” Ele vai e bastam alguns minutos para criar o inferno. Um comando terrorista invade o local, promove uma carnificina e a morte da bela, o que deixa o herói desesperado.
Meses depois, O Brien já está caçando terroristas na internet. Oferece-se como voluntário na célula do assassino da noiva. Na hora H, ocorre outra carnificina, mas o espectador nem tem tempo de perguntar o que está se passando, mas é aí que começa, de verdade, o filme de Cuesta. Já que OBrien quer tanto matar terroristas, uma diretora da CIA o coopta e entrega um especialista em trabalhar com recrutas. Entra em cena Michael Keaton, em sua melhor participação recente, incluindo Homem-Aranha – De Volta ao Lar, para o qual O’Brien foi testado (e recusado).
Enquanto treina o garoto, Keaton fica batendo no ouvido dele que o combate não deve ser pessoal, porque senão o sujeito perde o foco. Mas eis que todo o desequilíbrio que está se criando no mundo, o roubo de uma ogiva russa, armamentos para terroristas, tudo é obra de outro agente que Keaton treinou anteriormente, Taylor Kitsch, e que agora quer vingança contra seu mestre. Há certa consistência na curva dramática desses personagens, até a agente que trabalha com OBrien tem suas motivações (olha o spoiler). E tudo converge para uma explosão nuclear submarina, cena forte e muito bem realizada.
O tema da frieza profissional é interessante porque estabelece um contraponto à emoção. Nenhum desses homens frios – e, que por isso, usam muito óculos escuros – tem direito a uma vida. Antigamente, os críticos e o público aceitavam melhor esse tipo de crítica. O mundo ficou mais cínico, certo, mas, daqui a uns 20/30 anos, os críticos gostarão desse filme como hoje gostam de coisas antigas que também eram tratadas a pontapés.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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