Beleza e Saúde: conheça os benefícios da técnica capilar ‘Low Poo’
A nova rotina capilar tem feito a cabeça de homens e mulheres


Janny Mota, Jéssica Martins, e Larissa Menegaldi
Pedro Ivo Prates/Meon
Se você sempre está conectado às redes sociais e internet já deve ter se deparado com o termo ‘Low Poo’. A técnica capilar que promete recuperar a saúde dos fios tem feito a cabeça de homens e mulheres de todo o mundo, inclusive no Brasil e na RMVale.
A técnica
“Os produtos ‘Low Poo’ não apresentam tensoativos (detergentes) como sulfatos (lauril sulfato de sódio), além de petrolatos e silicones. Estes componentes geram uma película que impede que os nutrientes penetrem no cabelo. Além disso, eles também geram falso brilho, maciez e suavidade, mas depois entopem os folículos e prejudicam o crescimento dos fios, podendo ainda irritar o couro cabeludo, aumentar as caspas e piorar a oleosidade”, conta a professora Neiva Ambrósio, coordenadora do curso técnico de Química do Colégio Univap.
O cabeleireiro e terapeuta capilar Anderson Matsuno explica que essa reação se chama ‘efeito rebote’. “A maioria dos cosméticos capilares limpam muito o fio e couro cabeludo, sem preservar os óleos naturais do cabelo. Então, nosso corpo entende que tem que repor com urgência essa camada podendo causar o excesso de oleosidade e o acúmulo de resíduos”.
Ou seja, o ‘Low Poo’ é uma técnica em que não se usam sulfatos agressivos, apenas sulfatos mais leves e outros agentes limpantes que retiram as impurezas, mas não afetam a boa oleosidade, natural e cheia de nutrientes do couro cabeludo, além de petrolatos (presentes nos cremes e condicionadores) e alguns silicones insolúveis.
“Menos espuma”
O lauril sulfato de sódio, citado por Neiva Ambrósio, é a substância responsável pela produção de espuma durante a lavagem.“O fato do lauril ser um sal derivado da combinação de ácido sulfúrico e hidróxido de sódio (soda cáustica) acaba causando danos aos cabelos”, diz o professor Guilherme Costa Matsutani, coordenador dos Cursos de Farmácia e Radiologia da Universidade de Mogi das Cruzes. A não utilização desse componente dá nome à técnica capilar: ‘Low Poo’, ‘menos espuma’, e consequentemente, menos sulfatos.
Meio ambiente
O uso de petrolatos, sulfatos, e outras substâncias presentes nos cosméticos podem ter consequências além da não hidratação e limpeza natural dos fios. “Nos rios e lagos, os agentes tensoativos diminuem a quantidade de oxigênio do meio, comprometendo a vida da flora e fauna, e ainda são fontes para o desenvolvimento de algumas bactérias”, diz a professora e coordenadora do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Valdirene Aparecida da Silva.
Histórico
A iniciativa ‘Low Poo’ partiu da cabeleireira inglesa Lorraine Massey, dona da empresa Deva Curly. Em parceria com o brasileiro Denis da Silva, a inglesa criou uma linha de produtos com objetivo de cuidar de cabelos crespos. Junto com a linha de cosméticos nasceu também uma técnica capilar (Curly Girl Method, ou Método da Garota Cacheada) que incluía a abolição de componentes como petrolatos e sulfatos. Com o tempo a técnica se popularizou também entre os fios lisos.
Quem faz
Brenda Costa, 20 anos, é de São José dos Campos e aliou a técnica ao seu processo de transição capilar. “Deixei de fazer tanta chapinha, e comecei a deixar de fazer progressiva e aceitar meu cabelo mais enrolado. O ‘Low Poo’ ajuda na auto estima e a cuidar do cabelo como ele é, de dentro pra fora”, diz.
A autoestima de Alanderson Tomaz Silva, joseense de 23 anos, também melhorou muito depois do uso dos produtos ‘Low Poo’. “Eu me conheci melhor, como pessoa negra e crespa, em um mundo de propaganda para cabelos lisos e chapinha. Sempre tive meu cabelo raspado, pela vontade dos meus pais. Agora, quanto mais meus cachos crescem, e de uma forma saudável, mais me conheço e me apaixono por ele”.

“Me conheci melhor”, diz Alanderson
Arquivo pessoal
Jéssica Martins Pedro, 23 anos, é de Jacareí e já é adepta do ‘Low Poo’ há um ano. Também cacheada, para ela a técnica é como um filosofia. “Se você não assume toda uma prática de vida mais leve, não adianta só tirar o sulfato do shampoo. É clichê chamar de estilo de vida, mas é algo que você tem sim que levar para fora do chuveiro”.
Como começar
Para quem quer colocar em prática a técnica, a jacareiense Janny Mota, 25 anos, adepta do ‘Low Poo’ há um ano, dá a dica. “Acredito que é essencial fazer algumas pesquisas, saber quais são as substâncias liberadas e as proibidas. Você pode até salvar as tabelas no celular para ter mais facilidade, e começar a ler os rótulos de cosméticos que você tem em casa mesmo”, diz.
Larissa Menegaldi, 23 anos, também de Jacareí, está acompanhando o resultado no cabelo de algumas amigas e pretende começar a técnica em breve. “Estou bastante animada”, diz.
Noo Poo
Ao contrário do ‘Low Poo’, o ‘No Poo’, técnica também criada por Lorraine Massey, dispensa totalmente o uso de xampu e de silicones insolúveis em água. A lavagem é feita somente com o condicionador, em um processo conhecido como co-wash (do inglês conditioner washing ou ‘lavagem condicionante’), que limpa e hidrata ao mesmo tempo.
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