Blatter diz que problema com Platini é pessoal e ataca os EUA e a Inglaterra
Afastado da presidência da Fifa pelo comitê de ética da entidade, o suíço Joseph Blatter se pronunciou nesta quarta-feira e responsabilizou o francês Michel Platini, comandante da Uefa, pela eclosão da crise na entidade máxima do futebol. Ele também avaliou que a situação seria diferente se Rússia e Catar não tivessem sido escolhidos para…

Afastado da presidência da Fifa pelo comitê de ética da entidade, o suíço Joseph Blatter se pronunciou nesta quarta-feira e responsabilizou o francês Michel Platini, comandante da Uefa, pela eclosão da crise na entidade máxima do futebol. Ele também avaliou que a situação seria diferente se Rússia e Catar não tivessem sido escolhidos para sediar as Copas do Mundo de 2018 e de 2022, vencendo um processo que contava com as participações da Inglaterra e dos Estados Unidos.
“No início era apenas um ataque pessoal. Era Platini contra mim”, disse Blatter em entrevista à agência russa TASS, também disparando contra a Uefa. “Eu me tornei o alvo principal do ataque, porque, de três anos para cá, e especificamente após a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a Uefa não me quer como presidente. Foi um ataque realizado contra o presidente da Fifa. Mas as outras confederações estavam comigo”, acrescentou.
Para Blatter, Platini sempre quis assumir o comando da Fifa, mas não teve coragem de apresentar a sua candidatura para desafiá-lo na eleição deste ano – o suíço venceu a votação contra o príncipe jordaniano Ali bin Al-Hussein, mas dias depois anunciou a decisão de deixar o cargo diante do agravamento da crise na entidade, com a prisão de vários dirigentes, e da pressão de patrocinadores.
“Ele queria ser o presidente da Fifa. Mas ele não teve a coragem de disputar a eleição para presidente. E agora nós estamos em uma situação desse tipo no futebol. Mas a Fifa está funcionando bem. A Fifa está realizando competições e todos os programas de desenvolvimento”, disse, afirmando que a posição do craque francês foi assumida por membros da Uefa e até do parlamento da União Europeia.
Blatter também avaliou que o problema pessoal de Platini tomou proporções maiores e se transformou na atual crise em razão da insatisfação dos Estados Unidos e da Inglaterra pela derrota no processo de escolha da sede das duas próximas edições da Copa do Mundo, dando conotação política ao imbróglio na Fifa.
“Sim, ele começou, mas depois tornou-se política. E quando é política, não é mais Platini contra mim. É então aqueles que perderam a Copa do Mundo. Inglaterra contra a Rússia. Eles perderam a Copa do Mundo. E os Estados Unidos perderam a Copa do Mundo para o Catar. Mas você não pode destruir a Fifa”, declarou.
Assim, na sua opinião, não se falaria de crise caso os Estados Unidos, que vê a sua Justiça liderar as investigações sobre corrupção no futebol, tivessem sido escolhidos para organizar a Copa do Mundo de 2022. “Estaríamos previstos para nos preparar para dois magníficos Mundiais: Rússia-2018 e Estados Unidos-2022. Em seu lugar, falamos da crise na Fifa”.
Suspenso por 90 dias pelo Comitê de Ética da Fifa, Blatter atacou a decisão do órgão de puni-lo, assim como Platini. O presidente da Fifa é investigado por um pagamento feito ao comandante da Uefa em 2011 e alega que o valor foi repassado por serviços prestados, além de reclamar por não ter sido ouvido pelos investigadores que o afastaram.
“É um absurdo total. Isto não é justiça. Eu coloquei essas pessoas no escritório, que estão agora na Comissão de Ética, e eles nem sequer têm a coragem de ouvir o secretário-geral (Jérôme Valcke, que também foi suspenso), Platini ou eu. Eu reclamo pelos princípios dos direitos humanos: antes de ser suspenso ou excluído de algum lugar você tem o direito de responder e eles negaram isso. Eles fizeram uma investigação sumária e três dias depois eu estava suspenso”, criticou o afastado presidente da Fifa, que entrou com recursos nos comitês de ética e de apelação da entidade contra o seu afastamento.
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