Blubell busca o pop recusando clichês do jazz
Blubell é uma cantora pop que se afirma como tal por meio do jazz, e mostra aspectos que remetem ao clima jazzístico de várias maneiras. Tem uma voz limpa que intensifica as melodias; é teatral, a cada música faz caras e bocas e tem uma banda de jazz que dá o clima de clube enfumaçado à apresentação, trazendo, inclusive, piano de cauda ao show no Sesc de São José dos Campos, nesta quarta-feira (19).


Blubell e banda: entrosamento acompanha os climas das canções
Renan Simão
Blubell é uma cantora pop que se afirma como tal por meio do jazz, e mostra aspectos que remetem ao clima jazzístico de várias maneiras. Tem uma voz limpa que intensifica as melodias; é teatral, a cada música faz caras e bocas e tem uma banda de jazz que dá o clima de clube enfumaçado à apresentação, trazendo, inclusive, piano de cauda para o show que fez no Sesc de São José dos Campos, na quarta-feira (19).
O rótulo de diva é notadamente recusado, a perceber pelo título do último disco “Diva é a Mãe” e a canção “Diva uma Ova”, no entanto é esse caminho retrô que ela percorre. Mesmo em tom de deboche, ela não foge do universo em que as canções mesclam crônicas de amor e de humor.
Em “Bandido”, ouvimos um bolero escrachado que segue a estrutura do humor do jazz de cabaré -a canção parece ser de amor por um homem, mas, no fim, é por um celular. “Regret”, um doo-wop -coral de vozes imitando instrumentos- cantado em português fala de uma mulher autossuficiente que esnoba o pretendente.
Blubell usa três idiomas nas letras: português, francês e inglês. O português é usado de forma inofensiva, quase sempre de escárnio e buscando ser pop ao tentar tirar risadas, como em “Diva uma Ova” e “A Mulher Francesa e o Homem Pavão”. A última, a história do flerte do homem que fala “demais e pouco faz”.
O inglês preenche lacunas com expressões cool e o francês aparece para brincar com quem acha bonito falar “Je parle quelque chose / Belle de jour”, da melodramática “La Vie en Chose”. Bem entrosada, a banda -bateria, saxofone, piano e contrabaixo- não fica alheia à apresentação quase cênica e acompanha a cantora nos gestuais e nos altos e baixos dos temas das músicas.
As boas surpresas do show são “Pra Não Sentir”, uma canção sobre desejo que surpreende crescendo nos versos “Posso sentir a flor de lótus se abrir / O céu cair, o sol nascer / Posso ouvir fogos no céu explodir / O mar se abrir, o chão tremer” e “Picnic”, uma balada que sai do ambiente jazzístico e flui criando um domingo ensolarado. Ambas não geram humor e mostram as forças de letra e música.
Em show curto, de pouco mais de uma hora, Blubell se afirma como pop refutando os clichês das divas de jazz e apresenta lampejos de vigor autoral.
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