Bourbon Festival Paraty: mais música, menos “perrengue”

Festival de jazz ultrapassa público da Flip e exige mudanças estruturais

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Público cresceu de 18 para 30 mil pessoas em sete edições

Divulgação

Após a chuva dar uma trégua, a norte-americana Sharon Jones, principal atração do Bourbon Festival Paraty 2015, irrompe o palco da suntuosa concha acústica montada ao lado da igreja Matriz, onde fecharia a noite de sábado (30) do festival. Dona de voz e atitude vigorosas,  o nome mais badalado do evento de Jazz, Soul e R&B, entregou uma apresentação memorável na cidade histórica.

Assistir aos contorcionismos da cantora ao alcançar as notas mais poderosas ou a interação com os Dap Kings (banda que acompanha Sharon e mesma que gravou seis faixas do disco Back to Black, com Amy Winehouse), entretanto, foi um espetáculo para poucos. Das mais de 10 mil pessoas que acompanhavam a apresentação, grande parte ficou tão longe do palco que mal dava para enxergar o telão.

Extrapolar a cota de “perrengue”natural a um festival com programação 100% gratuita é justamente o risco que a organização e a curadoria correm caso algumas medidas não sejam implementadas na estrutura dos próximos anos. Em linhas gerais, o Bourbon pode se tornar vítima da própria competência em montar um line-up praticamente irretocável.

Nesta 7ª edição, o Bourbon, que aconteceu entre os dias 29 e 31 de maio, reuniu um público estimado em 30 mil pessoas pela organização do evento. Número que ultrapassa o da edição 2014 da Flip (Feira Literária Internacional de Paraty), que reuniu cerca de 27 mil pessoas. Para se ter uma ideia do crescimento, a primeira edição do evento, realizada em 2009, reuniu aproximadamente 18 mil pessoas.

“Este ano o público foi nitidamente maior do que das edições anteriores. No sábado, tivemos a taxa de 100% de ocupação na rede hoteleira. É um resultado importante, fruto do amadurecimento do festival e de sua curadoria. Mas também é um indicativo de que a estrutura precisa ser repensada para garantir mais conforto para esse número crescente de pessoas”, explica o secretário adjunto de Turismo de Paraty, Gabriel Costa.

Telões
A prefeitura de Paraty é a principal patrocinadora do festival, que tem a curadoria da Bourbon Street Music Club, tradicional casa de blues e jazz de São Paulo. Para o organizador, Edgard Radesca, as próximas edições do evento podem contar com telões espalhados pela cidade, assim como já acontece durante a Flip.

“As medidas para os próximos anos precisam aumentar o conforto de quem vem para assistir os shows. Muita gente reclamou que, apesar do som estar perfeito, não era possível assistir. Além dos telões, também será preciso melhorar a estrutura para os músicos que tocam na rua (que, na programação, constam como ‘buskers’), já que a proporção dessas apresentações também tem aumentado muito”, afirma.

Orçamento
Para incrementar e estrutura, entretanto, a organização deverá, mais uma vez, driblar o corte no orçamento da prefeitura. Apesar de não revelar valores, o secretário adjunto de Turismo afirmou que o evento contou com verba menor do que em 2014.

“A pasta sofreu um corte orçamentário de 30%, o que refletiu também no festival. Mas como contamos com outras parcerias, houve um esforço para captação de recursos da iniciativa privada para diminuir esse prejuízo”, explica Costa.

Nesta edição, o evento contou com 21 atrações musicais, somando 30 horas de música. Os convidados dividiram-se em dois palcos. Além de Sharon Jones, nomes como Nuno Mendelis, Vasti Jackson e Tulipa Ruiz também se destacaram na programação.

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