Choro Jazz Jericoacoara reúne André Mehmari e Duofel
Os bons ventos de dezembro que atraem praticantes de windsurf de vários países também têm levantado na bela e tranquila Jericoacoara, no litoral do Ceará, outro tipo de onda: muita música boa vocal e instrumental brasileira e internacional, desde 2009. Com shows e oficinas durante uma semana, além de ter fomentado duas escolas de música na…

Os bons ventos de dezembro que atraem praticantes de windsurf de vários países também têm levantado na bela e tranquila Jericoacoara, no litoral do Ceará, outro tipo de onda: muita música boa vocal e instrumental brasileira e internacional, desde 2009. Com shows e oficinas durante uma semana, além de ter fomentado duas escolas de música na região, o festival Choro Jazz Jericoacoara esticou as cordas até Fortaleza, onde inicia as atividades reunindo nomes como André Mehmari e Gabriele Mirabassi, Ricardo Silveira, Duofel e o Duo Taufic, que abre a terceira edição do festival na capital.
A partir do dia 2 e até o dia 9 de dezembro, eles também tocam em Jeri, onde dois grandes músicos serão homenageados: o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, pelos 40 anos de carreira, e João Donato, pelos 80 anos de vida. O choro e o jazz são estilos que se aproximam pela possibilidade de improvisação e também pela vocação para agregar diversos ritmos de nacionalidades diversas, como o pianista português Mário Laginha, outra forte atração deste ano.
O festival ganhou credibilidade na região e a cada ano atrai mais turistas nesse período do ano. Despertou o interesse de jovens e crianças que têm surpreendido músicos profissionais pela dedicação e pelo desenvolvimento como instrumentistas. Muitos músicos que tocam lá acabam voltando, seja para trabalhar em oficinas ou para acompanhar as atividades dos colegas.
Para o produtor Capucho, que criou duas escolas, uma em Jeri e outra em Sambaíba, é uma vitória, mas também uma batalha a cada edição. Este ano, o festival conta com a parceria da TV Cultura, que vai gravar um documentário durante o evento. Porém, o produtor se ressente da falta de apoio do governo estadual. “Não se faz cultura sem apoio e acho uma pena o governo do Estado, que e o que mais se beneficia, ficar de fora, principalmente num lugar onde aporta gente do mundo todo, então é importante mostrar a qualidade da nossa música para eles”, diz.
Por causa disso, embora com patrocinadores de peso, ele teve de “remanejar tudo”. A programação está mantida, mas vai faltar a “atração surpresa”, que ele insere na última hora. “Mas não podemos parar senão a mediocridade vence mais fácil. Sou guerreiro e agora vão ter que me aturar”, defende-se.
Como ocorreu anos anteriores, o festival tem espaço reservado para a apresentação de uma banda formada por alunos. “A escola de Sambaíba que fundei e mantenho praticamente sozinho está linda. Crianças que nunca tinham visto um instrumento hoje já estão lendo partituras. Os meninos vão se apresentar no sábado à tarde em Jeri”, conta.
Grandes cantores, compositores, instrumentistas e bandas como Hermeto Pascoal, Yamandu Costa, Guinga, Joyce, João Bosco, Celso Viáfora, Gianluca Littera, Terence Blanchard, Spok Frevo Orquestra e Duo Assad deixaram suas pegadas nas areias da praça principal de Jeri. A programação completa deste ano está no site chorojazz.com.
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