Com homenagem às vítimas de Paris, Pearl Jam lota o Morumbi

O vocalista Eddie Vedder lendo em português um texto que pede mais amor no mundo Divulgação Nem a chuva, nem os problemas técnicos e nem os atentados em Paris tiraram o brilho do show do Pearl Jam, ontem (14), em São Paulo. Com o estádio do Morumbi completamente lotado, a banda fez uma apresentação de […]

Escrito por: Adriano Pereira3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
pearljam

O vocalista Eddie Vedder lendo em português um texto que pede mais amor no mundo

Divulgação

Nem a chuva, nem os problemas técnicos e nem os atentados em Paris tiraram o brilho do show do Pearl Jam, ontem (14), em São Paulo. Com o estádio do Morumbi completamente lotado, a banda fez uma apresentação de 3h15 intercalando hits, homenagens e improvisos.

Pouco depois das 20h30, horário que estava marcado para o começo do show, a banda entrou com um clima bastante devagar para uma abertura de show. Mas havia um motivo, e ele estava estampado no bumbo da bateria com um desenho da Torre Eiffel.

Antes de tocarem “Love Boat Captain”, Eddie Vedder parou para lembrasr dos atentados arrastando o português. “Nosso amor vai para todos em Paris, temos ainda muito a superar juntos”. Era apenas um prefácio calmo para uma sequência de peso e energia que começou com “Do The Evolution” e prosseguiu por boa parte do show.

É quase um risco dizer isso de uma banda que tem mais de 20 anos de estrada e músicos extremamente talentosos, mas Eddie Vedder personifica o Pearl Jam. Ele concentra as atenções de todo mundo, sua voz continua poderosa e ele funciona como um afrodisíaco natural feminino. Gritos e suspiros faziam parte de qualquer coro.

O Pearl Jam é uma banda que teria tudo para fazer um show com sequências de hits matadoras, mas não faz. Intercala seus sucessos com músicas menos conhecidas, porém faz um show consistente e não se repete. Não há roteiros, há na verdade uma vontade de tocar sem fazer “cena”, sem firulas.

Na altura de “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, improvisada por Vedder sozinho no palco, o céu de São Paulo resolveu mostrar sua força. Os ventos fortes sacudiam a estrutura no alto do palco e Vedder pediu um tempo avisando sobre a tempestade que viria em direção ao estádio do Morumbi.

Curioso ouvir de um cara que no início da carreira escalava os palcos sem a mínima responsabilidade que a “segurança vem primeiro”. Vedder terminou nitidamente irritado com alguns problemas técnicos. Gesticulou e reclamou algo com um técnico, mas nessa altura o estádio já pulava ao som de “Even Flow”.

A banda foi levando até “Rearviewmirror” quando teve que parar para que ajustes fossem feitos no palco. Nessa hora a chuva veio com a sensação de que seria realmente uma tempestade. Mas não foi, felizmente.

Depois da pausa de 10 minutos, o momento mais emocionante do show. Vedder pediu que o público acendesse os celulares e a banda tocou “Imagine”, uma canção que serve como hino pacifista e mostra que nossas diferenças têm que ser respeitadas. O momento foi realmente emocionante.

Outras duas covers ainda fizeram parte da noite. “Rockin’ in the Free World”, do veterano Neil Young e uma versão punk de “All Along the Watchtower”, de Bob Dylan, com direito a tombo de Vedder numa poça d’água no palco. Alma e roupa lavada, não houve quem saísse do Morumbi insatisfeito. O Pearl Jam é grande e no palco fica gigante.

Set List
Long Road
Of the Girl
Love Boat Captain
Do the Evolution
Hail Hail
Why Go
Getaway
Mind Your Manners
Deep
Corduroy
Lightning Bolt
Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
Even Flow
Come Back
Swallowed Whole
Given to Fly
Jeremy
Better Man
Rearviewmirror

Intervalo
Footsteps
Imagine (John Lennon)
Sirens
Whipping
I Am Mine
Blood
Porch

Intervalo
Comatose
State of Love and Trust
Black
Alive
Rockin’ in the Free World (Neil Young)
Yellow Ledbetter
All Along the Watchtower (Bob Dylan)

Publicado em: