Del Nero também não deve ir à Rússia para sorteio das Eliminatórias da Copa
O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não deve viajar para a Rússia, onde, no dia 25, ocorre o sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Apenas o técnico Dunga e o diretor de seleções, Gilmar Rinaldi, viajarão ao evento. O dirigente brasileiro, porém, é vice-presidente do Comitê de Organização do Mundial de 2018 e o encontro é o…

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não deve viajar para a Rússia, onde, no dia 25, ocorre o sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Apenas o técnico Dunga e o diretor de seleções, Gilmar Rinaldi, viajarão ao evento. O dirigente brasileiro, porém, é vice-presidente do Comitê de Organização do Mundial de 2018 e o encontro é o pontapé inicial da Copa para o governo de Vladimir Putin.
Del Nero já não voou neste fim de semana para Zurique, onde a Fifa realiza uma de suas reuniões mais importantes em décadas, para definir o novo formato da entidade, além das eleições. No mês passado, o dirigente também não compareceu ao Chile para a Copa América.
Oficialmente, o cartola indicou que fica no Brasil para tratar da CPI e da MP do Futebol. Mas, conforme a reportagem revelou com exclusividade, Del Nero está sendo investigado pelo FBI por conta de suspeitas de propinas envolvendo a Traffic, empresa de J. Hawilla.
O sorteio das Eliminatórias, na próxima semana, é considerado o evento que lança o Mundial na Rússia. Tradicionalmente, os membros do Comitê Executivo da Fifa fazem parte da lista dos convidados. Segundo a CBF, não existe confirmação da ida do presidente da entidade.
Del Nero, se não viajar, ainda perde uma série de reuniões, a partir do dia 22 de julho. No dia 23, a Fifa apresenta o calendário de jogos para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo. No dia 24, é a vez do encontro do Comitê Organizador da Copa. O brasileiro, ao menos no papel, é o vice-presidente do organismo.
Na Rússia, porém, Del Nero correria um risco mínimo de ser questionado ou detido. Moscou tem adotado uma posição de apoio à Fifa e acusa as ações do FBI como um golpe contra a Copa do Mundo de 2018, no país. Joseph Blatter, que também não viajou desde a eclosão da crise na Fifa em maio, estaria sendo esperado na Rússia no final do mês, sob a garantia de que não seria entregue aos americanos.
OFENSIVA – Enquanto os dirigentes brasileiros e sul-americanos desaparecem no cenário internacional, a Europa organiza uma ofensiva para tomar o poder da Fifa e acelerar a queda de Joseph Blatter. Na segunda-feira, em Zurique, os principais cartolas do mundo se reúnem pela primeira vez na sede da Fifa, quase dois meses depois da onda de prisões na Suíça de dirigentes e que abriu uma crise sem precedentes no futebol.
A Uefa pedirá o fim do reinado de Blatter e uma eleição dia 16 de dezembro. Michel Platini deve ser o candidato e já costura apoio em todas as regiões do mundo. Blatter, porém, vai tentar resistir e quer uma eleição apenas em março de 2016. Seu objetivo é ter tempo suficiente para se blindar e eleger um aliado.
Para legitimar sua permanência, ele vai propor algumas das reformas que já vinham sendo solicitadas há anos e que ele mesmo jamais realizou. Uma delas se refere às regras para que países possam se candidatar para receber a Copa do Mundo.
A proposta é de que, a partir do Mundial de 2026, candidatos não sejam autorizados a oferecer investimentos em países que tenham votos na escolha das sedes. Segundo as investigações do FBI, milhões de dólares foram gastos por governos como o da África do Sul e mesmo pelos ingleses em “academias de futebol” em países cujos dirigentes tinham influência na votação. A suspeita é de que, por baixo desses recursos, também estavam milhões em subornos.
Na estrutura da Fifa, duas medidas estão entre as prioridades para o encontro. Um delas é a de colocar um limite para mandatos de dirigentes, reduzindo os incentivos para clientelismo e subornos. A outra medida seria a exigência de uma ficha limpa aos cartolas.
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