#DicaMeon – A Entrevista
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Cena do filme “A Entrevista” com os atores Seth Rogen e James Franco
Divulgação
Nas últimas semanas, a linha tênue entre o humor e o terrorismo tem sido tema de grandes discussões. No universo da sétima arte não foi diferente. Nesse domingo, 11 de janeiro, durante a cerimônia do Globo de Ouro, realizada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, vários artistas se manifestaram sobre o atentado ao cartunista Charlie Hebdo, ocorrido na França no dia 7 deste mês.
Contudo, não só Charlie esteve sobressalente durante a entrega dos globos. As apresentadoras Tina Fey (Saturday Night Live) e Amy Poehler (Saturday Night Live) contaram com a ajuda de uma atriz oriental fantasiada de ditadora norte-coreana para relembrar o polêmico “A Entrevista”, filme dirigido por Seth Rogen (Vizinhos) e estrelado por James Franco (Homem-Aranha, 127 Horas).
O longa conta a história de Dave Skylark (James Franco), um popular apresentador de talk show que conquista a oportunidade de entrevistar o ditador Norte-Coreano, Kim Jong-Un. Então, o serviço de inteligência norte-americana aproveita a brecha para tentar matá-lo, aproveitando-se da empatia que o líder da Coreia do Norte possui pelo apresentador.
Piadas sobre famosos saindo do armário, disputas de ego no universo midiático e dois “jornalistas” se metendo onde não deveriam. Claro, sem deixar de ressaltar as situações cômicas escrachadas, típicas do cinema de humor satírico americano. Fato é que este seria mais um filme de comédia hollywoodiano que renderia uma bilheteria interessante e, talvez, emplacasse no topo dos dez mais assistidos num final de semana. Mas, não foi bem isso o que aconteceu.
O problema da piada foi ter mexido com um líder radical que mantém um regime ditatorial, programa nuclear ativo e grande poderio militar. Situação verossímil ao contexto que levou ao massacre de 7 de janeiro. Neste caso, o terror chegou no vazamento de filmes e emails constrangedores sendo expostos – nenhum sangue foi derramado.
Contudo, ainda cabe uma ressalva. É preciso um pouco de atenção para perceber a crítica que o próprio filme faz com relação ao envolvimento da mídia nesses assuntos. Afinal, o terrorismo cibernético à Sony não trouxe mais evidência a um filme que poderia ter passado despercebido? Não serviu de marketing voluntário?
“A Entrevista” é uma comédia sobre o jogo de manipulação entre governo – mídia – população, concentrando a responsabilidade nas mãos daqueles que têm o poder da pergunta, que podem guiar revelações fúteis ou importantes para uma nação. O filme é uma charge sobre a tensão entre duas grandes nações.
Curiosidade
A pós a polêmica e as constantes ameaças de mais ataques cibernéticos, a Sony anunciou que cancelaria o lançamento do filme. Mas, no final de dezembro do ano passado, “A Entrevista” foi lançado online no YouTube, Google Play, Xbox Vídeos e no iTunes, da Apple. Além disso, ele foi passado, na noite de Natal, em apenas 300 salas do circuito americano.
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