#DicaMeon – Boyhood: da infância à juventude
Com menos indicações ao Oscar do que Birdman e O Grande Hotel Budapeste, “Boyhood: da infância à juventude” também entra nas duas categorias mais disputadas da academia: Melhor Filme e Melhor Diretor (Richard Linklater).


Boyhood foi gravado em um período de 12 anos com os mesmos atores
Divulgação
Com menos indicações ao Oscar do que Birdman e O Grande Hotel Budapeste, “Boyhood: da infância à juventude” também entra nas duas categorias mais disputadas da academia: Melhor Filme e Melhor Diretor (Richard Linklater). E foi nessas duas categorias que o filme – gravado num período de 12 anos – conseguiu levar para casa os globos de ouro de 2015.
O longa de duas horas e quarenta minutos conta a história de como Mason Sr. e Olivia (Ethan Hawke e Patricia Arquette), divorciados, lutam para criar seus dois filhos, Sam e Mason Jr. (Ellar Coltrane e Lorelei Linklater) na transição da infância para a juventude. Separação, mudança de cidade, visitas quinzenais, novos relacionamentos, novos irmãos, descobertas, decepções, universidade. A história é bastante simples e quem não souber que se trata de um filme de ficção, pode confundi-lo com um documentário.
No começo das premiações deste ano, alguns críticos disseram que Boyhood cairia no esquecimento em frente aos outros competidores. A surpresa no Globo de Ouro – que premiou também Patricia Arquette como melhor atriz coadjuvante – trouxe à tona de que o prêmio seria apenas uma “consolação”, e que a produção não tivesse tanta sorte assim com a estatueta dourada.
O fato é que: sim, o filme parece um documentário; sim, a apelação reside no uso dos mesmos atores por 12 anos para fazer uma transição de tempo mais fiel impossível; sim, a trama é boa e poderia ser tão bem contada numa gravação de um ano e meio com ajuda dos recursos artísticos e visuais – como assistimos em O Curioso Caso de Benjamin Button.
Então, por que demorar mais de uma década para gravar uma história sobre as passagens na vida de um garoto que se torna adolescente e tem que lidar com diversos obstáculos, como um padrasto alcoólatra que batia na mãe? Ou como a ausência materna, num período do contexto em que a mulher sai de casa para estudar e batalhar pelo bem estar dos filhos? Pelo mesmo motivo que Birdman foi feito em plano sequência e O Grande Hotel Budapeste tem uma simetria e fotografia impecáveis: arte.
Boyhood é um drama sutil de fácil identificação. E a naturalidade com que a vida de Mason Jr. acontece é ressaltada pela falta de marcação temporal – nada de “cinco anos depois” ou “julho de 2010”. Além disso, a maneira como Linklater pontuou o crescimento dos personagens com o desenvolver da cultura pop chega a trazer uma sensação nostálgica ao espectador. Por esses motivos, também, o filme apresenta grande potencial para levar o Oscar em outras duas categorias (das seis que foi indicado): melhor edição e melhor roteiro original.
Há quem diga que este é o campeão de 2015, outros já se disseram decepcionados com tanta publicidade e pouca história. Resta deixar o tempo passar e, quem sabe, acabar nos surpreendendo na noite de 22 de fevereiro.
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