#DicaMeon – Êxodo: Deuses e Reis

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Escrito por: Cecília Láua3 min de leitura
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Êxodo: Deuses e Reis (Divulgação)

Cena do filme Êxodo: Deuses e Reis em exibição nas salas da RMVale

Divulgação

Apesar de não entrar na lista de filmes que fizeram bilheteria na virada de 2014 para 2015, Êxodo – Deuses e Reis, filme de Ridley Scott, esteve no topo do Top10 brasileiro neste final de semana, apresentando um rendimento de mais de R$10 milhões. Já no Egito, país cenário dessa narrativa épica, e no Marrocos, o filme foi tirado de circulação.

O motivo seria a distorção da história, como alegam os órgãos de censura dos países, pois na versão de Scott o profeta Moisés, interpretado por Christian Bale (Batman, na trilogia dirigida por Chistopher Nolan), apresentou-se como um líder de milícia num combate para retirar o povo hebreu da escravidão do Antigo Egito. Ridley já tinha alertado sobre essa mudança na compreensão do filme, ao dizer que dirigia uma narrativa fictícia, não um documentário.

De fato, quem vai aos cinemas procurando um remake em live-action da animação “Príncipe do Egito” (Dreamworks,1998) pode se decepcionar. A cordialidade e passividade de Moisés no desenho dão espaço para um soldado, líder do exército egípcio e um estrategista com o propósito de libertar os judeus criando uma rebelião do povo contra o faraó Ramsés (Joel Edgerton, “O Grande Gatsby”). Recrutamento, ataques de explosão aos depósitos de alimentos e treinos de luta intensos são os primeiros recursos utilizados pelo profeta na tentativa de se fazer cumprir a vontade de um Deus que, a princípio, ele nem acredita.

Percebendo a ineficácia da ação, Deus – numa personificação instigante – resolve agir. E nesse ponto, o filme fica interessante. Em vez de introduzir as dez pragas do Egito na narrativa como “realizações divinas inquestionáveis”, o diretor conseguiu amarrá-las como desastres naturais, um acontecendo em consequência do outro. Contudo, sem desvincular da ideia de que aquilo estava acontecendo segundo desejo do Deus dos hebreus. Moisés, nesse trecho do filme, praticamente desaparece e aguarda pelos resultados.

Os judeus são libertados e se dá início à cena clímax tanto do filme, quanto da história bíblica: a passagem pelo mar vermelho. Dessa vez não foi um cajado de madeira que repartiu as águas em muros à direita e à esquerda. Uma espada fincada no fundo do mar indica a maré baixa, propícia para o povo atravessar, guiados pelo profeta. Após o último conflito entre Moisés e Ramsés, o exército egípcio é engolido pelas águas e o povo judeu está livre.

Então, Christian Bale firma num dos diálogos finais aquilo que pode ser percebido nas “entrelinhas” durante a sessão: Êxodo reflete sobre a questão Israel e palestina e os conflitos do oriente médio. A formação de uma nação, que precisa de um líder e regras (neste caso, Deus e os dez mandamentos) e de uma terra que fora prometida a eles. Necessidades que podem não ser compreendidas por outras nações e gerar embates seculares.

Êxodo, seja no Antigo Egito ou nos tempos atuais, será sempre uma luta entre deuses (o credo, a fé, a religião, a doutrina) e reis (governantes de grandes nações).

Curiosidade
Durante o período de finalização e lançamento do filme, Ridley Scott (Alien, Gladiador, Blade Runner) foi acusado de racismo por ter escalado um elenco branco para interpretar personagens egípcios. Após receber as acusações, o diretor de 77 anos respondeu que há diferentes etnias trabalhando em Êxodo e que tais informações seriam uma “tremenda bobagem”.

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