Em ‘Chaplin, o Musical’, Jarbas Homem de Mello recria o artista
Quando a crise econômica se agravou no Brasil, em 2015, o ator e diretor Jarbas Homem de Mello não se conformou com a repentina interrupção da temporada de Chaplin, o Musical, espetáculo que ele protagonizava e que revela detalhes do nascimento de um gênio da arte. “Era um trabalho muito carinhoso e até inspirou uma montagem semelhante na…

Quando a crise econômica se agravou no Brasil, em 2015, o ator e diretor Jarbas Homem de Mello não se conformou com a repentina interrupção da temporada de Chaplin, o Musical, espetáculo que ele protagonizava e que revela detalhes do nascimento de um gênio da arte. “Era um trabalho muito carinhoso e até inspirou uma montagem semelhante na Bélgica. Todos achávamos que não merecia sair de cartaz tão repentinamente”, lembra ele sobre aqueles três meses.
Confiante de que o musical teria uma nova chance, Claudia Raia, que produziu o espetáculo ao lado de Sandro Chaim, manteve o aluguel de um galpão onde o cenário ficou acomodado durante os últimos três anos. “Foi uma montagem construída com muito carinho a ponto de, ao conseguirmos fazer uma nova temporada, praticamente ficou o mesmo elenco”, conta ela. Assim, Chaplin, o Musical reestreia no Theatro Net SP, com a disposição de completar e melhorar o perfil de um dos grandes artistas do século passado.
Apesar de distante três anos do personagem, Jarbas conta que o reencontro foi até rápido demais. “Aos poucos, as falas, os trejeitos, as situações voltaram à memória”, comenta o ator, que enfrenta o desafio de interpretar Charlie Chaplin dos 13 aos 82 anos – tarefa que exigiu uma meticulosa preparação. Afinal, além de ler diversas obras sobre o grande comediante e rever seus filmes, Jarbas buscava descobrir como se movimentava o corpo de Chaplin. Para isso, fez aulas de circo, patinação, violino, além de observar atentamente todos seus gestos. Outro ponto importante foi o treino com a bengala e o chapéu-coco, marcas registradas do personagem Carlitos.
Ajustar o figurino, de fato, exige paciência, pois a caracterização leva cerca de uma hora. Só para Jarbas, estão reservadas duas perucas, 20 bigodes e três bengalas. “É um personagem que começa muito jovem. Construir essa voz de uma pessoa jovem, o corpo, o gestual e levá-lo até os 82 anos é a maior dificuldade”, pondera o ator, mais confiante agora para a interpretação.
“Ficar um pouco mais velho me ajudou a entender melhor algumas situações vividas por Chaplin. E, curiosamente, fiquei até mais parecido com ele.”
Nesse período de três anos entre a estreia e a atual montagem, Jarbas aproveitou uma viagem a Los Angeles, em janeiro, para conhecer o Ace Hotel Downtown – ali funcionava, em 1927, o mítico teatro da United Artists, companhia cinematográfica fundada por Chaplin e outros grandes artistas do cinema, como os atores Mary Pickford e Douglas Fairbanks e o cineasta D. W. Griffith. “Encontrei muitas relíquias, como uma câmera que Chaplin usava para filmar”, relembra. “O mais incrível é lembrar que esses quatro inovaram na forma de conceber e distribuir seus filmes.”
O musical não se resume a apresentar a biografia de Charles Spencer Chaplin (1889-1977), um dos gênios da arte, mas também de sua vital importância para a evolução do cinema. Escrito por Thomas Meehan e Christopher Curtis (também autor das letras e canções originais), o musical chegou ao Brasil com ar de estreia mundial – apesar de ter sido encenado na Broadway em 2012, o espetáculo nacional ganhou cenas novas escritas por Curtis, que também compôs cinco canções inéditas. “Aqui, o público acompanha a vida de Chaplin com mais emoção, encenada em um estúdio cinematográfico”, contou ao jornal O Estado de S. Paulo, quando da estreia da montagem em 2015, o diretor Mariano Detry.
A atual montagem apresenta novidades no elenco. Como Juan Alba, no papel de Sidney, irmão mais velho de Charlie e seu empresário e mentor. “Ele reconhecia o talento do irmão a ponto de abrir mão do seu para apoiá-lo”, conta Alba. “Também ajuda Charlie a estruturar sua vida.” Outra recém-chegada é a talentosa Myra Ruiz, no papel de Oona ONeil, a jovem que vai se casar com um Chaplin já idoso e que vai acompanhá-lo até o fim de sua vida, no dia de Natal de 1977.
CHAPLIN, O MUSICAL
Theatro NET SP. Shopping Vila Olímpia. Rua Olimpíadas, 360. 5ª e 6ª, 21h. Sáb., 17h e 21h. Dom., 18h. R$ 50 / R$ 200. Até 29/7
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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