Epopeia do sertão
Tão logo o público se acomoda, dois atores iniciam um desafio de violas – trata-se do esquentamento do grupo mineiro Maria Cutia antes de iniciar, de fato, a apresentação da peça Auto da Compadecida, clássico nacional de Ariano Suassuna, que estreia na quinta, 8, no Sesc Pompeia. “Retomamos a tradição do teatro circense, que é a base da…

Tão logo o público se acomoda, dois atores iniciam um desafio de violas – trata-se do esquentamento do grupo mineiro Maria Cutia antes de iniciar, de fato, a apresentação da peça Auto da Compadecida, clássico nacional de Ariano Suassuna, que estreia na quinta, 8, no Sesc Pompeia. “Retomamos a tradição do teatro circense, que é a base da dramaturgia de Suassuna”, comenta o diretor do espetáculo, Gabriel Villela. Mais do que isso – fiel à tradição sedimentada por Bertolt Brecht (1898-1956), ele utiliza canções para não só comentar a ação como também para fazer observações críticas.
Finalizada em setembro de 1955, a peça Auto da Compadecida foi encenada no ano seguinte, no Recife, sem despertar atenção. Foi a montagem apresentada em janeiro de 1957, no Teatro Dulcina, no Rio, onde alcançou a consagração merecida: logo se tornou um clássico nacional – crítico do Estado, Sábato Magaldi o considerou, em 1962, como o “texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.
“O seu encanto está nesse ar de ingenuidade de que a caracteriza, na singeleza dos recursos empregados, no primarismo do argumento, tudo perfeitamente dentro do espírito popular em que a obra se inspira e que quer manter”, observa o estudioso Henrique Oscar, em texto publicado no livro que traz o texto da peça, pela Agir. “Com expressões por vezes rudes e outras pitorescas, o autor conseguiu um diálogo eminentemente teatral, vivo e saboroso, colorido e descritivo, popular sem ser vulgar e paradoxalmente literário, nada tendo de precioso ou alentejoulado.”
Oscar aponta outro detalhe importante, que explica a opção de direção de Villela, baseada em um teatro de rua: “Buscou-se evocar uma representação de circo, uma farsa muito marcada, portanto, em que a caricatura tinha de ser forte”.
Inspirada na mítica brasileira do herói sem caráter, a trama acompanha as desventuras de João Grilo e Chicó, que vivem de trambiques, em uma trajetória que começa com o enterro do cachorro do Padeiro e sua Mulher até chegar em uma epopeia que traz as principais figuras do sertão: o clero, o cangaço, Jesus, o Diabo e a Virgem Maria. “Juntos, João Grilo e Chicó reproduzem a tradição circense que mostra um palhaço espertalhão, cheio de recursos, que gosta de se meter em situações arriscadas, e outro palhaço ingênuo, covarde, que se deixa influenciar pelo outro e às vezes acaba atrapalhando-o”, comenta o músico e poeta Braulio Tavares, em texto publicado no livro.
AUTO DA COMPADECIDA
Sesc Pompeia
Rua Clelia, 93. Tel.: 3871-7700.
5ª a sáb., 21h. Dom., 18h. R$ 40. Estreia 8/8. Até 1/9
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
