Escola de Congo de Tremembé mantém tradição centenária

Desde que Quintino Bento subiu ao palco do Cine Santana com sua banda de rock e a congada da capitã Joaquina, em 1983, sua vida deixou de lado a cultura pop e voltou-se para a cultura tradicional do Vale do Paraíba. Depois de 16 anos vivenciando manifestações musicais da região como congada, capoeira, moçambique, folia de reis, entre outros, inaugurou em 2007 seu maior projeto: a Primeira Escola De Congo de São Benedito Do Erê, em Tremembé.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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Projeto promove manifestações tradicionais do Vale do Paraíba

Divulgação

Desde que Quintino Bento subiu ao palco do Cine Santana, em São José dos Campos, com sua banda de rock e a congada da capitã Joaquina, de Taubaté, em 1983, sua vida deixou de lado a cultura pop e voltou-se para a cultura tradicional do Vale do Paraíba.

Depois de 16 anos vivenciando manifestações musicais da região como congada, capoeira, moçambique, folia de reis, entre outros, inaugurou em 2007 seu maior projeto: a Primeira Escola de Congo de São Benedito do Erê, em Tremembé.

A escola tem atualmente 112 alunos matriculados gratuitamente em aulas diárias que ensinam desde a confecção de tambores a tocar flauta ou aprimorar o canto. As temáticas são diversas e passam por teatro, dança, folclore, artes plásticas e culinária.

“Qualquer um pode fazer aula, só precisa de foto 3×4 e RG, a faixa etária vai de 2 a 102 anos”, brinca o idealizador do espaço e músico Quintino Bento, 51 anos.

A congada, um cortejo de canto e música com forte influência da religiosidade católica e do candomblé, é apresentada pela escola em festas das redondezas e “Alvorada, Festa do Divino, chegada de político, chegada de trem, a gente faz tudo”, como diz Quintino.

A verba para a gerência do projeto vem de editais governamentais de fomento à cultura como Proac, do Estado de São Paulo, e dos Pontos de Cultura, do governo federal.

O projeto também assume a administração da Banda do Quintino, que desde 1927 é atração nos festejos de Tremembé e é composta por 21 integrantes, a maioria com instrumentos de sopro. O nome Quintino não é do gestor cultural da Escola de Congo, mas de seu bisavô, que fundou a banda.

As iniciativas estão todas ligadas à centenária tradição da congada de Tremembé, Lagoinha, São Luiz do Paraitinga e outras cidades da região. E a orquestra da escola não fica de fora.

Em 2008, foi criada a Orquestra do Erê, conjunto de 32 membros de alunos do Projeto Guri, que utiliza instrumentos conhecidos da música erudita para interpretar temas próprios, criados por Quintino, do cancioneiro popular do Vale do Paraíba.

Com curadoria artística do maestro João Carlos Martins, “O Sopro do Espírito Santo” é a principal ópera popular da orquestra e é o resultado da pesquisa musical de Quintino nos últimos dez anos.

Em agosto, a orquestra lança o seu primeiro álbum no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, e Quintino assegura: “Na nossa orquestra não tem Bach, Tom Jobim, tem capitã Joaquina e repertório congadeiro”.

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