Ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell é investigado no Brasil
Sandro Rosell construiu o time mais vencedor do mundo, o Barcelona, foi o diretor no Brasil da maior empresa de material esportivo, a Nike, colecionou conquistas e fortuna. E também uma série de suspeitas no financiamento do esporte no País do futebol. A Agência Estado apurou com exclusividade que o ex-presidente do Barcelona é investigado no…

Sandro Rosell construiu o time mais vencedor do mundo, o Barcelona, foi o diretor no Brasil da maior empresa de material esportivo, a Nike, colecionou conquistas e fortuna. E também uma série de suspeitas no financiamento do esporte no País do futebol. A Agência Estado apurou com exclusividade que o ex-presidente do Barcelona é investigado no Brasil e o Ministério Público Federal já encaminhou à Espanha pedido de cooperação para ter acesso ao processo que corre nas cortes em Madri contra ele.
Rosell, que por anos manteve uma estreita amizade com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é alvo de três casos diferentes relacionados com o futebol brasileiro e, em todos, as suspeitas apontam para seu envolvimento em evasão ou fraude.
O MP brasileiro pediu à Espanha acesso aos documentos, contratos e transferências relacionadas com o papel de Rosell na polêmica negociação de Neymar para o Barcelona. No País europeu ele é acusado de crimes fiscais na contratação do brasileiro e o MP local pediu prisão de 7 anos e meio e multa de 25 milhões de euros, caso seja condenado. A suspeita é de que ele teria camuflado o custo real do jogador. O valor declarado foi de 57,1 milhões de euros. Mas os fiscais acreditam que o real montante seja de 83,3 milhões de euros, além de impostos. A fraude aos cofres públicos seria de 13 milhões de euros.
Agora, o MP brasileiro avalia a documentação enviada pelos espanhóis para decidir sobre eventual indiciamento. Uma decisão pode ser anunciada já em outubro. Procurado pela reportagem, o clube não respondeu nem sobre os contratos nem sobre as atividades de Rosell.
Este não é o único caso com a participação de Rosell no futebol nacional. O catalão é investigado num processo criminal, que corre em sigilo, referente ao estabelecimento da empresa Ailanto, que realizou em 2008 em Brasília amistoso entre Brasil e Portugal. A Ailanto, que jamais havia organizado uma partida, recebeu R$ 9 milhões para fazer o jogo.
Há suspeita de superfaturamento. Nas passagens aéreas para a seleção brasileira, o valor declarado apontava gastos de R$ 900 mil. Mas os valores colhidos com a empresa operadora do voo indicou custo de R$ 617 mil. Os gastos com hotéis dos jogadores do Brasil e de Portugal também estão sob suspeita, bem como a contratação dos serviços de segurança da empresa CERCO. Além da própria participação da Federal Brasiliense e o destino da renda do jogo.
A Ailanto havia sido criada 5 meses antes do jogo, com capital de R$ 800 e endereço num apartamento do Rio, e tinha Rosell como gerente. Em junho, o MPF do Rio também abriu procedimento para aprofundar as investigações sobre as relações entre Teixeira e Rosell. O catalão já foi indiciado num inquérito da PF de janeiro deste ano.
FUTSAL – De acordo com documentos oficiais, a Ailanto mantinha também contratos com a Confederação Brasileira de Beach Soccer. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo, 12.ª Vara Cível, apontou que a confederação teria sido condenada a pagar à empresa por serviços prestados. O documento não explicita o valor da dívida, nem o motivo da disputa nem o período.
Teixeira ficou à frente do futsal na Fifa durante os anos em que esteve no Comitê Executivo da entidade. Quando abandonou a CBF e a Fifa por conta dos escândalos de corrupção, quem ficou responsável pela modalidade foi Marco Polo Del Nero.
Nike. Rosell ainda está na mira em outro caso envolvendo a CBF. Nos Estados Unidos, o FBI investiga a Nike por suspeitas de suborno em relação ao Brasil e o contrato avaliado em US$ 160 milhões com a seleção brasileira. Ricardo Teixeira é suspeito de ter dividido com o empresário José Hawilla uma propina de US$ 30 milhões por terem fechado um acordo com a empresa americana em 1996, dando a ela exclusividade para explorar a seleção.
Nos documentos oficiais do próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a CBF havia fechado um acordo milionário com a empresa americana que previa um pagamento extra em uma conta na Suíça de US$ 40 milhões para a Traffic. Depois de fechar o acordo com a Nike, entre 1996 e 1999 Hawilla emitiria notas por serviços supostamente prestados no valor de US$ 30 milhões para a Nike que, em troca, o fazia os depósitos.
Para a Justiça americana, esse valor se refere a “propinas e subornos” que o chefe da CBF e o empresário brasileiro receberam da empresa. Numa nota à imprensa a Nike indicou que está “comprometida em cooperar com qualquer investigação governamental relacionada com a Fifa”.
A relação entre o brasileiro e Rosell também incluiu serviços que iam além do futebol. A empresa que ajudou Teixeira a tramitar seus papéis para obter a residência em Andorra era do próprio Rosell, detentor de 11% das ações da companhia de consultoria. O outro sócio é Joan Besoli, também ex-diretor do Barça.
Rosell ainda teria servido para facilitar outros pagamentos: a indenização milionária imposta sobre Teixeira e João Havelange para arquivar o maior caso de corrupção da história da Fifa. Quem fez o pagamento foi uma empresa ligada aos sócios do ex-presidente do Barcelona.
Segundo a Justiça suíça, Teixeira e Havelange fraudaram a Fifa em R$ 40 milhões entre 1992 e 2000 por meio de pagamentos de propinas da ISL, a empresa que vendia direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006. Os cartolas pagaram multa de US$ 2,45 milhões como devolução dos recursos e como forma de encerrar o caso de forma amistosa.
Dados obtidos pelo Estado revelam que a empresa que fez a gestão para a devolução do dinheiro na forma de multas foi a Bon Us SL. O dinheiro foi para a conta de Peter Nobel, o advogado pessoal de Joseph Blatter, presidente da Fifa, que o repassou à instituição. Quatro dias depois, mais US$ 100 mil foram repassados de um banco em Andorra para Nobel, supostamente como honorários.
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