Fim dos desencontros
A tecnologia está evitando que as pessoas se desencontrem e, com isso, eliminando os recursos da narrativa clássica. O best-seller Douglas Preston tinha uma personagem feminina perseguida em um beco escuro de Nova York. Pensando na possibilidade dela ter um celular, Preston deslocou a cena para o metrô, onde na época não “havia sinal”. Outro […]

A tecnologia está evitando que as pessoas se desencontrem e, com isso, eliminando os recursos da narrativa clássica. O best-seller Douglas Preston tinha uma personagem feminina perseguida em um beco escuro de Nova York. Pensando na possibilidade dela ter um celular, Preston deslocou a cena para o metrô, onde na época não “havia sinal”.
Outro americano, M. J. Rose, afirmou que seu próximo livro será ambientado em 1948, para que haja conexões perdidas e “erradas”. Quando ia visitar minha namorada e perdia o ônibus, ela achava que eu tinha mudado de ideia ou fora assaltado. Agora posso enviar uma mensagem, com voz e imagem, dizendo que vou atrasar uma hora.
Sem saudosismo, acho que as grandes histórias ainda vêm de um mundo onde haja a distância entre as pessoas.
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